Israel: quem boicota não entra. A preocupação do Conselho Mundial de Igrejas

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18 Março 2017

Há anos, o órgão ecumênico com sede em Genebra, que representa mais de 560 milhões de cristãos em todo o mundo, convida as suas Igrejas-membro a boicotarem os produtos das colônias israelenses e a revisitarem, no mesmo espírito, os próprios fundos de investimento.

A reportagem é publicada por Notizie Evangeliche (NEV), 16-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As novas normas sobre os vistos de entrada aprovadas pela Knesset na segunda-feira passada “não vão me permitir mais visitar as Igrejas-membro em Israel e na Palestina, nem ir aos Lugares Santos”. Vai direto ao ponto o pastor luterano Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) – órgão que reúne mais de 348 Igrejas protestantes, ortodoxas e anglicanas em todo o mundo –, dizendo-se profundamente preocupado com a recente norma que regulamenta os vistos para os estrangeiros que querem se dirigir para Israel.

A lei proíbe a entrada no país judeu daqueles estrangeiros ou não residentes que incitaram o “boicote econômico, cultural ou acadêmico” contra Israel, ou contra instituições israelenses individuais, ou contra áreas sob o controle de Israel.

“Essa lei é uma terrível regressão”, é a opinião do pastor Tveit, que, em um comunicado divulgado pelo CMI, continua: “Se for aplicada, ela representaria uma clara violação da liberdade de expressão. É precisamente em virtude dos ensinamentos cristãos que nós, membros do Conselho Mundial de Igrejas, consideramos imorais tanto a aquisição quanto o consumo de bens produzidos pelas colônias israelenses nos territórios ocupados. E essa é precisamente a razão pela qual inúmeras Igrejas e cristãos individuais, em todo o mundo, decidiram desinvestir os seus fundos das empresas que obtêm lucro com essa ocupação ilegal”.

Tveit salienta que essa norma pode ter repercussões sobre a liberdade religiosa de muitos cristãos no mundo, mas também sobre os próprios cristãos presentes em Israel e na Palestina. Sobre o direito à assistência de Israel, não se discute, esclarece Tveit, assim como sobre o fato de que o antissemitismo é um pecado contra Deus. O CMI, no entanto, rejeita categoricamente toda violência como método de resolução dos conflitos.

“Assim como as Nações Unidas e a maioria da comunidade internacional – acrescenta Tveit – nós também consideramos ilegal a ocupação de mais de 50 anos dos territórios palestinos por parte de Israel.”

Há anos, o CMI – que representa mais de 560 milhões de cristãos em todo o mundo – convida as suas Igrejas-membro a boicotarem os produtos das colônias israelenses e a revisitarem, no mesmo espírito, os seus próprios fundos de investimento. Inúmeras Igrejas tomaram medidas nesse sentido. Trata-se de boicotes mirados.

Na verdade, explicita Tveit, o CMI nunca apoiou um boicote generalizado ou sanções econômicas contra o Estado de Israel. Ao contrário, o CMI aspira à justiça e à dignidade para todos os povos e a uma paz justa tanto para os israelenses quanto para os palestinos.

“Mas essa nova lei é uma forma de isolacionismo que não pode ser do interesse de Israel como membro da comunidade internacional, e muito menos do interesses dos habitantes da região.” Tveit vai rezar para que o governo israelense não aplique essas políticas, assegurou, na conclusão da sua declaração.

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