Sobreviventes de abusos ao arcebispo de Nova York: “Proteja as crianças e não os abusadores”

Mais Lidos

  • A nova missão do mundo católico diante da trajetória do trumpismo. Artigo de Stefano Zamagni

    LER MAIS
  • Pix vira foco de tensão entre Brasil e governo Trump

    LER MAIS
  • Assessora jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e bispo da Diocese de Juína refletem sobre os desafios da cultura do encontro entre indígenas e não indígenas na sociedade brasileira e relembram a memória do jesuíta Vicente Cañas, que viveu com povos isolados na década de 1970, entre eles, os Enawenê-nawê, no Mato Grosso

    “Os povos indígenas são guardiões de conhecimentos essenciais para toda a humanidade”. Entrevista especial com Caroline Hilgert e dom Neri José Tondello

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Outubro 2016

Sobreviventes de abusos sexuais vaiaram o cardeal Timothy Dolan diante da sua insistência em negar apoio a uma proposta que permitiria julgar todos os casos de pederastia, inclusive os prescritos.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 05-10-2016. A tradução é de André Langer.

Esta medida abriria uma “janela retrospectiva” que permitiria às vítimas de abusos denunciar seus casos mesmo quando tenham prescrito os crimes que alegam. Ao contrário, o arcebispo de Nova York opõe-se à reabertura de casos já prescritos.

Durante a visita do bispo a um instituto católico de Kinsgton, membros da associação Fighting for Children (Lutando pelas Crianças) repreenderam Dolan e mostraram cartazes que diziam: “Protege as crianças e não os abusadores”.

“Não seria uma visita se não houvesse manifestantes: na maioria das vezes não sei o que querem”, foi a resposta do cardeal. Uma falta de respeito pelas vítimas de abusos para o New York Daily News, que, em sua cobertura da visita, acusou Dolan de hipocrisia. “O cardeal quer ser defensor dos que buscam a justiça para vítimas de abusos sexuais na infância, mas não apóia sua lei”, queixou-se em suas páginas.

“Se estão se manifestando pelos direitos das vítimas... devem considerar-me um aliado, não um inimigo”, disse Dolan. Mas essa desculpa não vale nada para a Fighting for Children, uma vez que o cardeal não apoia sua iniciativa legislativa.

A Lei de Crianças Vítimas (Child Victims Act) promovida pela Fighting for Children não busca apenas abolir, daqui em diante, os prazos de prescrição dos crimes, mas trata de introduzir um período de um ano no qual vítimas de abusos históricos poderiam pedir a reabertura de seus casos.

A Arquidiocese de Nova York, por sua vez, opõe-se à iniciativa alegando que abrir uma “janela retrospectiva” só desencadearia uma avalanche de denúncias frívolas contra a Igreja. A arquidiocese pode ter gasto até agora cerca de dois milhões de dólares para impedir a aprovação da nova lei.

Apesar da negativa de Dolan de apoiar sua causa, o fundador da Fighting for Children, Gary Greenberg, afirma que não vai se render. “Não é um protesto monetário”, declarou. “Se provará que a Igreja o escondeu, coisa que fez, já é notório”.

Sobre o manifesto contra Dolan, Greenberg asseverou que “estamos aqui para fazê-lo saber que queremos que deixe que as vítimas tenham a oportunidade de ir aos tribunais e receber explicações”. “Queremos que comece a se preocupar com as vítimas, porque é isso que tem que fazer, e ainda não fez”, sentenciou.