Em meio a tensões, grupo LGBT mexicano revela padres supostamente gays

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30 Setembro 2016


Simpatizantes da causa LGBT em protesto na Cidade do México.
Empregando corações no cartaz para representar a palavra “amor”,
tem-se a mensagem: “Sou gay e me amo”.

Uma importante organização LGBT no México nomeou publicamente quase quarenta padres e religiosos como gays, sendo esta o mais recente capítulo do debate acalorado no país em torno dos direitos LGBTs.

O comentário é de Bob Shine, publicado por New Ways Ministry, 29-09-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A Frente Orgulho Nacional divulgou o nome de 38 padres e religiosos que estariam em relacionamentos homoafetivos, informou o jornal The Telegraph. O porta-voz do grupo Cristian Galarza explicou a decisão de publicizar estes nomes:

“Todos merecem o direito de ficar no armário (...) Mas quando você não se assume e condena a homossexualidade, condena o casamento gay e tenta influenciar um Estado laico, então perde o direito de ficar no armário”.

A Frente disse que não condenava os relacionamentos, mas a incoerência dos religiosos que neles participam, pessoas que se opõem à igualdade matrimonial. A lista inclui autoridades eclesiásticas de alto escalão e, segundo Galarza, não diz somente respeito a relacionamentos consensuais, mas “também casos de abusos sexuais”.

A decisão de publicar a lista não só foi criticada por opositores conservadores da igualdade LGBT, mas também por grupos LGBTs que não gostaram de ver pessoas sendo forçadas a saírem do armário. Enrique Torre Molina, do grupo All Out, contou ao The Telegraph:

“Podem falar o que quiser, mas, em última instância, estão usando a orientação sexual de alguém como ferramenta contra a pessoa, o que é exatamente o que o movimento LGBT não faz (...) Se há alguém que sabe a dificuldade que é ter a própria orientação sexual sendo usada contra si, somos nós gays e lésbicas”.

A publicação da lista ocorreu na dianteira das manifestações públicas contra os direitos LGBTs na semana passada, eventos organizados pela Frente Nacional pela Família, apoiada pela Igreja. Por se opor à divulgação da lista de clérigos e religiosos supostamente gays, organizações LGBTs ignoraram os contraprotestos encabeçados pela Frente Orgulho Nacional.

Alguns participantes de manifestações a favor da causa LGBT, no entanto, usaram estes momentos como oportunidade de praticar uma abordagem diferente de seus opositores: o diálogo. O jornal La Jornada escreveu:

“Por exemplo, um grupo de pessoas, jovens e velhos, gays e héteros, se pôs em frente à Porta dos Leões armado com cartazes, garrafas d’água… Dois cartazes segurados por Saúl Espino, um dos primeiros a chegar ao local, resumia o que queriam: ‘O nosso objetivo é desativar o ódio através do diálogo e dar uma voz, história e um rosto à diversidade’. O outro cartaz dizia: ‘Sou católico e sou gay. Quero falar com você!’”.

A igualdade matrimonial e outros direitos das pessoas LGBTs se tornaram assuntos calorosamente debatidos no México depois que o presidente Enrique Peña Nieto anunciou, em maio, que estaria pressionando o Congresso para que aprovasse tais leis.

Enquanto o movimento pró-direitos LGBTs permaneceu estagnado, a oposição aumentou rapidamente. No começo deste mês, um porta-voz da Igreja mexicana advertiu sobre uma “ditadura gay” e demonstrou aprovação à terapia corretiva. Certos grupos LGBTs responderam na mesma moeda, apresentando queixas contra dioceses e bispos em vários estados.

Em uma outra postagem que escrevi sobre a questão no México, declarei que um passo atrás se fazia necessário para ambos os lados para que um diálogo possa tomar o lugar de declarações divisoras como estas. Uma diminuição dos ânimos faz-se especialmente importante por causa da divulgação desta lista de nomes, que deve ser condenada incisivamente. Não há justificativa para se forçar alguém a sair do armário, até mesmo padres ou religiosos – mesmo que estejam se opondo ativamente aos direitos e relacionamentos LGBTs.

A questão de gays e bissexuais no sacerdócio é um tema pessoal assim como público. O tratamento negativo por parte da Igreja dispensado a estas pessoas tem causado um grande sofrimento. É igualmente preocupante que perpetradores de abuso sexual foram incluídos na lista, visto os esforços conservadores em equacionar a homossexualidade com abusos sexuais.

Defensores da causa LGBT não deveriam contribuir para a dor que as pessoas LGBTs presentes no ministério da Igreja e as sobreviventes de abuso clerical já têm de suportar. Em vez disso, deveriam – sempre e em todo o lugar – superar os preconceitos e os medos em torno das pessoas LGBTs respondendo com amor e compaixão.

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