A impunidade dos corruptos, problema político... e religioso

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Por: Jonas | 30 Junho 2016

“Uma sociedade que elege, por notável maioria, o partido que foi uma importante fonte de corrupção, é uma sociedade que antepõe outros valores à honradez ética. E também à honestidade religiosa”, escreve o teólogo espanhol José María Castillo, em artigo publicado em seu blog Teología Sin Censura, 28-06-2016. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

É evidente que a importante vitória do Partido Popular, nas recentes eleições gerais, chamou atenção e surpreendeu – por inesperada – os espanhóis e a todos que conhecem o que vem ocorrendo na Espanha, nos últimos anos. Um país que não só suporta a corrupção, como também volta a eleger majoritariamente aqueles que geriram uma fonte fecunda de corruptos, é por isso mesmo um país no qual a percepção de impunidade se torna mais patente. Uma sociedade que elege, por notável maioria, o partido que foi uma importante fonte de corrupção, é uma sociedade que antepõe outros valores à honradez ética. E também à honestidade religiosa. Porque, afinal de contas, o que se diz às pessoas corruptas, em uma sociedade assim, é que continuem roubando. Porque aqui, “senhores”, é possível roubar de forma impune. Não acontece nada.

Sendo assim, a primeira coisa que me ocorre é que, para uma notável maioria dos espanhóis, não importa que se continue cometendo os absurdos e as injustiças que foram cometidos nos últimos anos. O que significa, é lógico, um problema político importante. Contudo, também, certamente sem se dar conta, imagina-se que isto é um problema religioso mais grave do que alguns. Importa e nos preocupa mais o próprio bem-estar que o sofrimento dos outros. O que evidentemente nos situa nas antípodas do Evangelho. E isto, para um cristão, é um assunto grave, muito grave. Se é que a vida e os ensinamentos de Jesus representam algo em nossas vidas.

Não digo estas coisas por motivos políticos partidários. Não pretendo nem atacar a direita, nem defender a esquerda. Nem sequer pretendo insinuar que o melhor é o centro. Defendo aqueles que se veem pior tratados nesta sociedade, aqueles que são as vítimas dos corruptos.

No mais, devo destacar que a corrupção não se resolve pesando as consciências com motivações religiosas. Tais motivações, ajudam aqueles que possuem crenças religiosas. No entanto, para o conjunto da sociedade são insuficientes. O que fazer, então? É urgente revisar a fundo determinados pressupostos do Direito vigente. Concretamente:

1) Suprimir a prescrição dos crimes de corrupção, cometidos por cargos da administração pública;

2) O crime de roubar dinheiro da administração pública só será perdoado com a devolução do dinheiro roubado;

3) Reduzir ao mínimo possível o privilégio dos governantes para nomear, a dedo, cargos da administração pública.

Termino, mais uma vez, insistindo em que, se falo destas coisas, é pela força de uma convicção que é determinante em minha vida: o silêncio e a passividade diante do sofrimento dos mais desamparados é se fazer responsável por esse sofrimento.