Centenas de pessoas lotam a Catedral da Sé para homenagear Vladimir Herzog

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Outubro 2015

A Catedral da Sé, em São Paulo, ficou novamente lotada na tarde deste domingo, 25, para lembrar os 40 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pelas forças da repressão. O ato fez diversas referências ao histórico protesto ocorrido no mesmo local, uma semana depois da morte de Herzog, no qual cerca de 8 mil pessoas usaram o silêncio para fazer o manifesto que é considerado o início da derrocada do regime ditatorial no Brasil.

A reportagem é de Valmar Fontes Hupsel Filho, publicada por O Estado de S. Paulo, 25-10-2015.

Às 14h30, hora estimada da morte do jornalista, centenas de pessoas entraram na igreja cantando versos de "Para não dizer que não falei das flores", canção de Geraldo Vandré que simboliza a luta contra a ditadura. Em seguida foi realizado um ato com a participação de representantes de oito religiões, nos moldes daquele ocorrido há quatro décadas.

Dentro da igreja, oradores se revezaram em discursos que lembraram mortos e torturados pelo regime. O coral Luther King, acompanhado de 800 cantores, repetiu a execução da canção de protesto "Calabouço", que foi cantada, como há 40 anos, pelo compositor Sérgio Ricardo. Outras canções que marcaram a época também foram executadas sob forte emoção, como "O bêbado e o equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc.

Protesto. "Há 40 anos eu tinha 9 anos e estava aqui. A lembrança que tenho daquele dia é o silêncio daquele ato. Hoje entramos aqui cantando porque conquistamos este direito", disse o filho do jornalista, Ivo Herzog. Ele usou o discurso para protestar contra o desrespeito aos direitos humanos que continuam a ocorrer no Brasil. "O que a Polícia Militar de São Paulo tem feito ao assassinar pessoas é algo inaceitável. É inaceitável que o Ministério Público arquive processos contra este policiais. A cultura da violência tem que mudar", disse ele, sob aplausos.

O ato contou com a presença de outros presos políticos, como o jornalista Sérgio Gomes, que estava encarcerado quando Herzog foi morto e só obteve a liberdade em abril de 1976. "A democracia precisa de gente que a defenda permanentemente. Cadê o governador que não está aqui?”, disse.

O jornalista Audálio Dantas, que era presidente do sindicato dos jornalistas e foi um dos organizadores do ato em 1975, disse que 40 anos não foram suficientes para que o esquecimento prevalecesse. "Essas lembranças contribuem para que, de algum modo, essas coisas não aconteçam novamente."

As homenagens aos 40 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog se estendem por toda a semana. Nesta segunda-feira, 26, às 18h, será reinaugurada a praça Vladimir Herzog. Em seguida haverá a solenidade de entrega do relatório final da Comissão da Verdade da Câmara Municipal.