Uma pastoral segundo a lei da gradualidade e da escuta

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17 Outubro 2014

A Igreja, comunidade cristã, acolhe a todos como são, ajudando a se tornarem aquilo que ainda não são. Ao contrário da moral kantiana, que lembra apenas deveres a cumprir, a moral cristã, em nome do Evangelho, descerra metas, indica direções e possibilidades, fundamenta promessas.

A opinião é do teólogo italiano Luigi Lorenzetti, diretor emérito da Rivista di Teologia Morale, em artigo publicado no blog da revista Il Regno, 15-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como anunciar a moral cristã (valores e normas morais) aos homens e às mulheres do nosso tempo? É uma pergunta inevitável, quase como um desafio ao qual tentam responder, sobre o tema da moral sexual, matrimonial e familiar, dois Sínodos dos bispos (extraordinário de 2014 e ordinário de 2015).

Dois tipos de pastoral são ímpares para o desafio. Uma pastoral se limita a reiterar e a retomar as normas morais e, assim, conclui inevitavelmente com a desaprovação de comportamentos praticados. A outra continua empenhada em abaixar as normais morais e, assim, chega a justificar e a legitimar os comportamentos praticados.

Uma e outra, embora por caminhos diferentes, são deficitárias: a primeira, com a simples condenação e desaprovação, acrescenta frustração a frustração, desânimo, sentimento de culpa.

Igualmente faltante é a segunda, ao indultar fáceis "justificacionismos": justificar, de fato, significa impedir de crescer e interromper o caminho moral.

É preciso uma pastoral que anuncie a moral cristã (valores e normas morais) em atenção ou, melhor, em escuta à pessoa que "conhece, ama e cumpre o bem moral segundo etapas de crescimento" (cf. Familiaris consortio, n. 34). É a pastoral que segue a lei da gradualidade ou, melhor dito, a lei da escuta. Não renuncia a propôr a meta do ideal evangélico (amor/ágape, oblativo), mas está atenta aos peregrinos que, encaminhados à mesma meta, não têm todos o mesmo passo: alguns caminham rápido, outros custam a caminhar, outros ainda param ou voltam atrás.

A Igreja, comunidade cristã, acolhe a todos como são, ajudando a se tornarem aquilo que ainda não são.

O Papa Francisco propõe com insistência a pedagogia eclesial: "Sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar com misericórdia e paciência as possíveis etapas de crescimento das pessoas que vão sendo construídas dia a dia". No horizonte, o bem perfeito exorta a pastoral a saber valorizar e apreciar o bem possível (cf. Evangelii gaudium, n. 44-45).

Ao contrário da moral kantiana, que lembra apenas deveres a cumprir, a moral cristã, em nome do Evangelho, descerra metas, indica direções e possibilidades, fundamenta promessas. A moral cristã é (deve ser) moral da esperança: onde parece não haver mais nada a fazer, ela sabe dizer: "Levanta-te e anda"; onde não se vê nada mais do que sombras e impasses, ela ajuda a descobrir, a partir da situação concreta em que a pessoa se encontra, possibilidades e graças inéditas e imprevisíveis.

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