Papa frustra liberais de Friburgo com um bispo que canta gregoriano

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06 Junho 2014

Poucos, em Friburgo, podiam imaginar que, para suceder Dom Robert Zollitsch como bispo da diocese alemã, podia ser escolhido um profundo estudioso do canto gregoriano, "um conservador", como definiu, sem usar muitos circunlóquios, o vaticanista da ZDF, a televisão pública alemã.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 04-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há alguns dias, de Roma, chegou a notícia oficial: quem se sentaria na cátedra episcopal da cidade de Baden-Württemberg será Stephan Burger (foto). Cinquenta e dois anos, canonista formado na prestigiada faculdade teológica de Münster, há um ano era pároco do capítulo da catedral. O mesmo capítulo que, de acordo com normas concordatárias que remontam aos tempos em que a Alemanha ainda era Prússia, escolheu-o como pastor a partir de uma terna composta por dois outros nomes, previamente examinados pela Congregação para os Bispos. Uma votação que teria sido, no entanto, sofrida e incerta até o fim.

Surpreendeu muitos, desde a publicação da nomeação, que o escolhido fosse justamente o jovem canonista bem distante das posições de Zollitsch, hoje bispo emérito – o papa, no fim do verão europeu passado, aceitara imediatamente a sua renúncia, sem deixar passar alguns meses ou ano, como de praxe –, um dos mais convictos defensores da necessidade de uma atualização ao espírito do tempo do ensino católico.

Quem falou de escolha incomum, em primeiro lugar, foi o Frankfurter Allgemeine Zeitung, segundo o qual o nome de Burger foi selecionado a partir de uma terna bem diferente daquela originalmente enviada a Roma.

Do Vaticano, depois de recebida a indicação do núncio Nikola Eterovic (ex-secretário-geral do Sínodo, antes da chegada de Dom Lorenzo Baldisseri), teriam enviado ao remetente os três nomes propostos pelo Capítulo de Friburgo: personalidades liberais demais até mesmo para a diocese – a segundo maior da Alemanha em número de fiéis – que ao menos há dois séculos lidera a batalha para obter mais autonomia em relação a Roma.

O papa, observa ainda o FAZ, não estava convencido com nenhum dos candidatos, a ponto de pedir que o Capítulo indicasse uma nova terna, a partir da qual depois surgiria, surpreendentemente, o nome de Stephan Burger, que em mais de uma ocasião havia expressado publicamente a sua discordância de algumas escolhas pastorais do seu antecessor.

De Friburgo chegam as congratulações rituais, e os comentários à nomeação do novo bispo fazem amplo uso do léxico típico do "eclesiasticamente correto": "Estamos gratos ao pontífice e estamos felizes que a expectativa pelo novo arcebispo acabou", disse Dom Bernd Uhl, bispo auxiliar da diocese e presidente do Capítulo.

Nada mais nem por parte do cardeal Reinhard Marx, que de Zollitsch pegou o bastão como número um da Conferência Episcopal Alemã: "É um pastor especialista, a sua formação canônica e a experiência como administrador serão úteis para a nova tarefa". Também teria desempenhado um papel decisivo o cardeal Joachim Meisner, há poucos meses arcebispo emérito de Colônia e um dos purpurados mais próximos de Bento XVI desde sempre.

E a atenção se dirige agora justamente para Colônia, onde os procedimentos para a escolha da terna a ser apresentada ao papa estão seguindo um percurso acidentado. Parte do clero local e do mundo laico pede para ser envolvida no procedimento que levará a identificar o sucessor de Meisner, no cargo desde 1988.

Foi aberto até um abaixo-assinado online, e são fortes as pressões para propiciar uma reviravolta: o diretor do Colégio de São Biagio (Baden-Württemberg), padre Klaus Mertes, SJ, observou que "é hora de dizer 'chega' para os bispos impostos de cima, sem a confiança do povo e do clero".

Como não podia faltar, até mesmo Hans Küng interveio, implorando a intervenção de Francisco para arquivar o longo parênteses conservador. O esquema que entrou em cena em Friburgo segue bastante fielmente o que aconteceu justamente na grande diocese da Renânia do Norte-Westphalia, em 1988: também à época, o Capítulo da catedral tinha desviado as suas atenções para personalidades bem diferentes de Meisner, que à época era arcebispo de Berlim.

Foi João Paulo II, sem medo de ir para o confronto com o clero local, que sugeriu "calorosamente" aos eleitores de Colônia o nome de Meisner, insinuando que, caso contrário, os três candidatos propostos seriam rejeitados sem deixar espaço para negociações e tratativas. Um posicionamento de Karol Wojtyla que indignou o então primeiro-ministro da região, que falou de "golpe de Estado romano".

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