Quando um padre é desobediente? O congresso da Iniciativa dos Párocos

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06 Dezembro 2013

A Iniciativa dos Párocos da Alemanha espera que uma nova cultura da comunicação entre a hierarquia e o povo na Igreja se torne um modelo para os processos decisionais nas nossas dioceses.

Publicamos aqui o comunicado de imprensa da Pfarrer-Initiative Deutschland [Iniciativa dos Párocos da Alemanha], publicada em seu sítio, 20-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Quando um padre é desobediente? Esse é o título de um congresso de padres em que se discutiu o significado da obediência eclesial para a coesão da comunidade dos fiéis.

Nessa ocasião, verificou-se que a obediência aumenta com a escuta comum da vontade de Deus e que requer um clima de confiança entre quem dirige a Igreja e os colaboradores e colaboradoras, concretamente entre bispo e padres, mas também entre pároco, colaboradores contratados e membros da comunidade. O abade Michael Reepen chamou atenção para isso, ao falar da obediência na comunidade conventual beneditina.

O Prof. Dr. Michael Rosenberger, da Universidade de Linz, ressaltou que o Concílio Vaticano II pretendeu defender essa relação de confiança, explicitando direitos e deveres. Na Constituição sobre a Igreja (Lumen gentium, 37) são atribuídos aos fiéis, dentre outras coisas, o direito e o dever de manifestar as suas necessidades e as suas opiniões. Os superiores, por sua parte, têm o dever de promover a responsabilidade pessoal, de aproveitar os conselhos dos subordinados e encorajar a iniciativa pessoal.

Somente através dessa escuta recíproca é que são possíveis e úteis as disposições dos superiores e a obediência eclesial. Aqui, os participantes encontraram claras deficiências na comunicação intraeclesial. Por isso, a Pfarrer-Initiative vai intensificar o contato com os bispos.

Na assembleia, cujos moderadores foram Ruth Seubert e a Dra. Bettina Karwath, do Instituto Simone Weil, verificou-se que as manifestações de opiniões divergentes por parte de párocos com relação ao ensinamento da Igreja não constituem ainda desobediência. Constatou-se também que um ato de desobediência não deve ser automaticamente considerado reprovável do ponto de vista moral, mas pode ser uma expressão de uma decisão tomada em consciência, em vista do bem da Igreja e do bem da pessoa individual. Com essa argumentação, muitos párocos motivam a sua práxis diferente com relação à atitude que assumem para com os divorciados em segunda união.

O Papa Francisco, em preparação ao Sínodo Extraordinário dos Bispos de 2014, convidou todos os fiéis a tomar posição honesta e abertamente sobre problemas relacionados com o casamento e a família.

A Pfarrer-Initiative da Alemanha acolhe favoravelmente esse documento como contribuição para uma nova cultura da comunicação entre a hierarquia e o povo na Igreja. Com esse espírito, pretende participar dela e espera que tal modo de proceder se torne um modelo para os processos decisionais nas nossas dioceses.

Pfarrer-Initiative

Karl Feser
Klaus Kempter
(porta-vozes)