Igrejas pronunciam-se sobre temas morais, mas deixam de lado questões sociais

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13 Setembro 2012

Detentoras de projetos políticos diversificados, as igrejas brasileiras tendem a pronunciar um problemático discurso equânime ao tratar de questões de ordem moral como sexualidade, casamento homossexual ou aborto, mas não em relação a outras questões vitais para a sociedade, disse o professor Rudolf von Sinner.

A reportagem é de Micael Vier B. e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 13-09-2012.

Englobando mais de 60% da população brasileira, a Igreja Católica tem demonstrado uma atuação vigorosa na sociedade civil através das suas pastorais. “A igreja Católica é socialmente forte e progressista, mas moralmente conservadora”, afirmou o professor falar, hoje, no Congresso Internacional da Faculdades EST, reunido em São Leopoldo até a sexta-feira, 14.

A cidadania, destacou, corresponde à realização democrática na medida em que define como as pessoas interagem no espaço público, não podendo, pois, reduzi-se ao mero cumprimento de direitos e deveres.

A exposição do professor da EST e coordenador do Congresso esteve centrada nas teses defendidas em seu último livro, resultado de anos de pesquisa desenvolvida tanto em São Leopoldo quanto no Centro de Investigação Teológica (CTI), em Princeton, nos EUA.

Intitulado The Churches and Democracy in Brazil: Towards a Public Theology Focused on Citizenship (Eugene/OR: Wipf & Stock, 2012, 406p.), a obra consiste num encorpado estudo sobre as igrejas e a democracia no Brasil após a transição democrática.

Como elementos fundantes para o estabelecimento de uma teologia da cidadania, o palestrante ressaltou que as pessoas precisam se sentir detentoras de direitos e ter efetivo acesso a eles, bem como confiar nas instituições que compõem a arena pública.

“Não existe confiança generalizada entre as pessoas, muito menos em relação aos políticos, mas a família, os bombeiros e as igrejas são detentores de grande confiabilidade, o que lhes outorga especial responsabilidade”, pontuou.

Conferencista ao lado de von Sinner, o professor sul-africano Clint Le Bruyns trouxe ao público reunido no Auditório da EST o resultado de um extenso estudo de caso sobre Igreja, democracia e cidadania realizado junto a líderes, ministros e estudantes africanos.

“Ministros, estudantes e trabalhadores concordam sobre o significado de democracia política, embora demonstrem sentimentos negativos sobre a vida política”, disse Le Bruyns.

A pesquisa revelou que as pessoas, de modo geral, sentem-se convocadas a participar da vida pública, mas que efetivamente essa participação fica reduzida ao período eleitoral.

Também foi consenso entre os participantes da pesquisa o reconhecimento de que a Bíblia tem importante papel a desempenhar na transformação social, tanto no sentido de questionar a ordem estabelecida quanto de preservação do status quo.