''Não há nenhuma analogia com Welby e Eluana'', afirma a Santa Sé

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03 Setembro 2012

É uma exortação "ao silêncio" o que o arcebispo de Milão, Angelo Scola, quis lançar. Ele pronunciou essa advertência ao acolher Carlo Maria Martini na catedral: "Seja a nossa atitude principal o recolhimento diante do mistério da morte", afirmou. Quase uma tentativa de apagar as polêmicas em torno da escolha do cardeal de ir embora recusando a obstinação terapêutica.

A reportagem é de Alessia Gallione, publicada no jornal La Repubblica, 02-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A posição oficial logo havia sido esclarecida pelo padre Lombardi, o porta-voz da Santa Sé, que definiu a posição de Martini como "uma posição absolutamente coerente com o ensino normal da Igreja". Mas o que divide, agora, são os paralelismos traçados por muitos com os casos de Welby e de Englaro. E recusados fortemente pela Santa Sé.

"Uma comparação totalmente arbitrária e nada fundamentada, nem médica nem moralmente", atacou nos microfones da Rádio do Vaticano Mons. Roberto Colombo, professor da Faculdade de Medicina do Hospital Gemelli de Roma. Um muro. "Parece-nos que a morte de uma grande figura foi instrumentalizada para fins diversos que podemos imaginar, mas que queremos julgar como verdadeiramente esquálidos", continuou ele.

O arcebispo, doente há muito tempo de Parkinson, foi descrito como plenamente consciente. Mesmo quando recusou a sonda depois da última crise que o tornara não mais capaz de engolir alimentos, nem sólidos nem líquidos. A mesma sonda, foram os comentários no dia seguinte, de Eluana Englaro. Esse é o ponto que divide.

"Muitos ambientes secularistas estão comprometidos em instrumentalizar até o fim da vida do cardeal Martini só para afirmar as teses do novo niilismo", diz o ex-ministro Maurizio Sacconi. Para a deputada dos Radicais, Maria Antoinetta Coscioni, "a vontade do cardeal foi justamente respeitada". É ela que se inclina contra o projeto de lei Calabrò sobre as diretrizes antecipadas do fim de vida, como fez outro radical como Marco Cappato. Que vai ainda mais longe: "O cardeal não recusou uma 'obstinação terapêutica', em sentido técnico, mas sim um tratamento que lhe teria salvo a vida (graças à nutrição e à hidratação artificiais) em condições, porém, consideradas por ele como inaceitáveis. É a mesma recusa que o projeto de lei impede de fazer quando não se é mais capaz de entender ou de querer".