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19 Mai 2012

Da Síria, o jesuíta Paolo Dall’Oglio conta a sua experiência.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 17-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Deir Mar Musa, quando a realidade supera todas as previsões. Ou melhor ainda: apenas uma gota no oceano, mas muitas gotas fazem uma torrente, que no fim se torna um rio e às vezes transborda.

Deir Mar Musa é muito mais, porque se encontra na Síria e é um extraordinário lugar de diálogo e de convivência pacífica, rodeado por uma dramática situação de guerra que todos conhecemos a partir das notícias.

Mas há quem viva em Deir Mar Musa. Ou, melhor, quem, com a sua extraordinária tenacidade e a sua inabalável coragem, fez com que Deir Mar Musa viva e possa se tornar quase um paradigma de uma possibilidade de paz, também para a Síria.

Paolo Dall'Oglio é um jesuíta que, desde 1991, vive em um antigo mosteiro a cerca de 80 quilômetros ao norte de Damasco, uma encruzilhada de várias experiências religiosas ao longo dos séculos e agora sede de uma comunidade monástica mista, masculina e feminina, que obteve, depois de um processo nada fácil, a aprovação vaticana e que, em 2006, ganhou o Prêmio Euro-Mediterrânico para o Diálogo entre as Culturas.

Desde 2007, a experiência é contada em uma coluna intitulada La sete de Ismaele na Popoli, revista internacional mensal dos jesuítas da Piazza San Fedele, de Milão, e agora esses fragmentos de vida cotidiana, essas reflexões que se espalham do Oriente Médio para o mundo foram reunidas em um livro com o mesmo título e com o prefácio do jornalista Paolo Rumiz.

"Um livro que quer contar a experiência da amizade e de diálogo entre Islã e cristianismo", explicava, em Trento, o diretor da Popoli, Stefano Femminis, por ocasião da iniciativa "Oficina Oriente Médio", segunda edição de um evento de uma semana inteira, promovido pela província autônoma em colaboração com a diocese e cerca de 30 associações, incluindo a Cruz Vermelha, para encontros e aprofundamentos que destacam a importância do diálogo como única forma de reconciliação entre as diversas entidades. E este ano foi dedicado à primavera árabe, da Praça Tahrir à Síria.

Mas, para apresentar o livro, veio a voz ao vivo do Pe. Paolo, que pôde dialogar com Femminis, com o arcebispo de Trento, Bressan, com o assessor provincial para a solidariedade internacional, Lia Beltrami Giovanazzi, e alguns emigrantes sírios há muito tempo na Itália, incluindo o imã Nibras Breigheche.

É um livro abrangente, porque são as abrangentes preocupações de um religioso que olha para as iniciativas das Nações Unidas em Genebra, mas teme a retomada da guerra civil e o fracasso da diplomacia, teme a fragmentação do Oriente Médio em uma série de territórios subdivididos por etnia e por fé religiosa, teme principalmente que as pequenas experiências de diálogo e de convivência pacífica como Deir Mar Musa não sejam capazes de se expandir e de voltar a ser a normalidade de um Síria que, historicamente, sempre representou um cadinho de polos e de religiões que vivem juntos.

O vinho da amizade é um retrato da vida de março de 2007: "Alguns muçulmanos vêm nos visitar em uma atmosfera um pouco de piquenique, mas é um momento vivido com sacralidade. De fato, o que o mosteiro representa é reconhecido como lugar sagrado atávico comum. Alguns recitam a oração canônica islâmica, coletivamente, na tenda sobre o terraço do mosteiro, conhecida como a Tenda de Abraão".

E, a partir do livro – que fala não só de vida, mas também de morte, como as de Saddam e de Kadafi –, o Pe. Dall'Oglio solicita uma maior conscientização por parte dos países ocidentais com relação ao drama dessas populações: "A coletividade internacional ainda não ofereceu respostas adequadas, não fez o suficiente para que esses jovens sírios não se exponham ao risco do extremismo, para dar a conhecer que o Islã moderado representa a imensa maioria dessa população, e os meios de comunicação têm uma grande responsabilidade...".

  • Paolo Dall’Oglio, La sete di Ismaele. Siria, diario monastico islamo-cristiano. Prefácio de Paolo Rumiz. Ed. Gabrielli.