Quando os pinguins vêm marchando

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Junho 2011

Dezenas de estudantes universitários se somaram aos protestos dos secundaristas, à espera da mobilização maior convocada para esta quinta-feira pelos professores e alunos universitários. Pedem que Piñera melhore o sistema educativo.

A reportagem é de Christian Palma e está publicada no jornal argentino Página/12, 16-06-2011. A tradução é do Cepat.

A baixa temperatura que assolou Santiago nesta quarta-feira não impediu que mais de 7.000 estudantes – mais cerca de 300 trabalhadores subcontratados pela mineração – marchassem pela Alameda, a principal avenida desta capital, demandando melhorias no sistema chileno, movimento que recorda o pinguinaço de 2006, que provocou a primeira crise no governo de Michelle Bachelet e que ameaça afetar agora a administração de direita de Sebastián Piñera, que apenas na segunda-feira propôs uma mesa de diálogo com os secundaristas. Medida que, pelo que tudo indica, não acalmou os ânimos dos estudantes.

A jornada começou a esquentar quando um grupo de universitários levantou uma placa com uma mensagem contra o lucro na educação. Após a intervenção dos Carabineros, houve três jovens presos. Junto com eles, dezenas de estudantes universitários provenientes de Valparaíso, La Serena e Temuco, principalmente, se somaram à marcha secundarista, à espera da mobilização maior convocada para esta quinta-feira pelos professores e alunos universitários que, embora tenham outras reivindicações – como o fim do lucro na educação –, entendem que o sistema educacional chileno deve melhorar desde o mais básico.

A marcha dos pinguins aconteceu em relativa calma; no entanto, houve diversas escaramuças na altura do Palácio La Moneda, que os Carabineros dissolveram usando carros com jatos de água. A manifestação desta quarta-feira foi a ante-sala para o que deve ter acontecido ontem às 11h, para quando eram aguardados cerca de 20.000 universitários, secundaristas, acadêmicos e o Colégio de Professores no Parque Bustamente – em pleno centro capitalino – para marchar pela Avenida Alameda com destino à Praça dos Heróis, perto da sede do governo federal.

A presidenta da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (FECH), Camila Vallejo, precisou que "os atores vão em aumento e estamos nos unindo em eixos principais, como a necessidade de que o Estado garanta a educação como um direito universal, a recuperação da educação pública, a fiscalização do setor privado para acabar com o lucro e avançar em mudanças institucionais que mudem pela raiz o sistema educacional chileno".

Em relação à convocação para o diálogo proposto pelo Ministério da Educação, Vallejo disse que "estamos decepcionados com o ministro porque continua desqualificando o movimento. A única coisa que propõe é o fim das mobilizações, disse que somos minoria, mas não é assim, somos um movimento legítimo porque apelamos a um direito fundamental que não está garantido no Chile". Segundo a jovem dirigente, há várias Federações da Confederação de Estudantes do Chile (Confech) que estão solicitando a renúncia do ministro da Educação, Joaquín Lavín.

Adicionalmente, a FECH e o Colégio de Professores apoiaram os estudantes secundaristas na tomada e rechaçaram as medidas de repressão dos prefeitos, que desalojaram alguns colégios. "O governo está agindo contraditoriamente, porque enquanto o ministro Lavín fala em diálogo, os prefeitos que são afins a ele estão agindo desta forma (desalojando). As autoridades dizem uma coisa para a televisão e agem de outra forma. Estamos em outros tempos e não é possível que insistam neste tipo de represálias", reclamou Jaime Gajardo, líder dos professores.

No final da jornada, os estudantes conseguiram que a ação midiática chamasse a atenção da imprensa, pois se desenrolou perto de La Moneda e do Ministério da Educação, que agora está fortemente protegido por barreiras. Na terça-feira, o imóvel foi cenário de um protesto com universitários acorrentados, que deixou mais de 30 presos.