30 Mai 2011
A energia nuclear fornece 22% da eletricidade alemã. Pelo quê substituí-la? Quem vai pagar? São essas as principais questões em debate após o governo anunciar que pretende fechar todas suas usinas atômicas até 2022. As energias renováveis, que hoje garantem 16% da demanda, deverão representar 80% da energia produzida em 2050. Mas substituir usinas nucleares por eólicas (mais ao norte da Alemanha) e painéis solares (mais ao sul) não é algo fácil.
A reportagem é de Frédéric Lemaître, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 31-05-2011.
Não somente porque as centrais eólicas não são muito populares, mas também porque seu funcionamento depende do vento e elas supõem a construção, segundo os especialistas, de milhares de quilômetros de redes elétricas para encaminhar a corrente ao sul, onde estão instaladas inúmeras indústrias.
Isso explica a importância de duas outras fontes de energia: o gás (em grande parte importado, sobretudo da Rússia) e o carvão. Hoje, a hulha e o linhito representam ainda 43% da produção de eletricidade. Sua porcentagem deverá diminuir consideravelmente (cerca de 10% em 2050), mas, enquanto isso não acontece, o país abre novas usinas de carvão. Em nível nacional, o “mix energético” ainda está por ser definido, mas a Baviera, que acaba de adotar seu próprio programa para dispensar a energia nuclear, que representa 58% de sua eletricidade, até 2022 quer produzir 50% desta a partir das energias renováveis e 50% a partir de usinas a gás.
Para as primeiras, a energia solar, que fornece 4% das necessidades, deve ver sua importância quadruplicada graças à instalação de 15 mil hectares de painéis (inclusive em telhados) e a eólica, quase inexistente, deverá fornecer 10% da eletricidade após a instalação de 1.500 turbinas de vento. Em nível nacional, o governo também quer lançar um amplo programa de isolamento térmico das moradias. Para que a conta não fique alta demais, as subvenções poderão chegar a 2 bilhões de euros.
Para além das cifras, o fim do uso nuclear é uma aposta. Muitos alemães, não somente entre os Verdes, estão convencidos de que essa energia não é compatível com os valores democráticos. Ao serem os primeiros a abandonar essa energia, o país espera poder, amanhã, dominar o mercado mundial de energias renováveis.
A reportagem é de Frédéric Lemaître, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 31-05-2011.
Não somente porque as centrais eólicas não são muito populares, mas também porque seu funcionamento depende do vento e elas supõem a construção, segundo os especialistas, de milhares de quilômetros de redes elétricas para encaminhar a corrente ao sul, onde estão instaladas inúmeras indústrias.
Isso explica a importância de duas outras fontes de energia: o gás (em grande parte importado, sobretudo da Rússia) e o carvão. Hoje, a hulha e o linhito representam ainda 43% da produção de eletricidade. Sua porcentagem deverá diminuir consideravelmente (cerca de 10% em 2050), mas, enquanto isso não acontece, o país abre novas usinas de carvão. Em nível nacional, o “mix energético” ainda está por ser definido, mas a Baviera, que acaba de adotar seu próprio programa para dispensar a energia nuclear, que representa 58% de sua eletricidade, até 2022 quer produzir 50% desta a partir das energias renováveis e 50% a partir de usinas a gás.
Para as primeiras, a energia solar, que fornece 4% das necessidades, deve ver sua importância quadruplicada graças à instalação de 15 mil hectares de painéis (inclusive em telhados) e a eólica, quase inexistente, deverá fornecer 10% da eletricidade após a instalação de 1.500 turbinas de vento. Em nível nacional, o governo também quer lançar um amplo programa de isolamento térmico das moradias. Para que a conta não fique alta demais, as subvenções poderão chegar a 2 bilhões de euros.
Para além das cifras, o fim do uso nuclear é uma aposta. Muitos alemães, não somente entre os Verdes, estão convencidos de que essa energia não é compatível com os valores democráticos. Ao serem os primeiros a abandonar essa energia, o país espera poder, amanhã, dominar o mercado mundial de energias renováveis.