A postura justa

Fonte: Charles Varade et Jean Sari

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21 Outubro 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 18,9-14, que corresponde ao 30° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Segundo Lucas, Jesus dirige a parábola do fariseu e do publicano a alguns que presumem ser justos ante Deus e desprezam os outros. Os dois protagonistas que sobem ao templo para orar representam duas atitudes religiosas opostas e irreconciliáveis. Mas, qual é a postura justa e acertada ante Deus? Esta é a pergunta de fundo.

O fariseu é um observador escrupuloso da lei e um praticante fiel de sua religião. Sente-se seguro no templo. Reza de pé e com a cabeça erguida. Sua oração é mais bem apresentada: uma oração de louvor e ação de graças a Deus. Mas não lhe dá graças pela sua grandeza, sua bondade ou misericórdia, mas pelo bom e grande que é ele mesmo.

Imediatamente observa-se algo falso nesta oração. Mais que orar, este homem contempla-se a si mesmo. Narra-se a sua própria história cheia de méritos. Precisa sentir-se em ordem diante de Deus e exibir-se como superior aos demais.

Este homem não sabe o que é orar. Não reconhece a grandeza misteriosa de Deus nem confessa sua própria pequenez. Procurar Deus para enumerar diante dele nossas boas obras e desprezar os demais é néscio. Por trás de sua aparente piedade, esconde-se uma oração de “ateu”. Este homem não necessita de Deus. Não lhe pede nada. Basta-se a si mesmo.

A oração do publicano é muito diferente. Sabe que sua presença no templo é mal vista por todos. Seu trabalho de cobrador é odiado e desprezado. Não se desculpa. Reconhece que é pecador. Os seus golpes no peito e as poucas palavras que sussurra dizem tudo: “Oh Deus! tem compaixão deste pecador”.

Este homem sabe que não pode vangloriar-se. Não tem nada para oferecer a Deus, mas sim muito que receber dele: o Seu perdão e a sua misericórdia. Na sua oração há mais autenticidade. Este homem é pecador, mas está no caminho da verdade.

O fariseu não se encontrou com Deus. Este cobrador, pelo contrário, encontra em seguida a postura correta ante Ele: a atitude do que não tem nada e necessita tudo. Não se detém sequer a confessar com detalhe as suas culpas. Reconhece-se pecador. Dessa consciência brota a sua oração: «Tem compaixão deste pecador».

Os dois sobem ao templo para orar, mas cada um leva no seu coração a sua imagem de Deus e o seu modo de relacionar-se com Ele. O fariseu continua enredado numa religião legalista: para Ele o importante é estar em ordem com Deus e ser mais observador que ninguém. O cobrador, pelo contrário, abre-se ao Deus do Amor que Jesus prega: aprendeu a viver do perdão, sem vangloriar-se de nada e sem condenar a ninguém.

Para aprofundar a reflexão:

Um coração compassivo e misericordioso

A difícil tarefa

Perfeição petrificada X misericórdia vivificante

“Quem se humilha será elevado”

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