Poluição atmosférica e saúde infantil: prescrevendo ar puro

Crianças com máscara de proteção devido a poluição. Foto: Cifor | Flickr

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31 Outubro 2018

O relatório resume os achados científicos mais recentes sobre as relações entre exposição à poluição atmosférica e os efeitos adversos à saúde infantil. Tem por objetivo informar e incentivar a ação individual e coletiva de profissionais da saúde para evitar danos à saúde infantil causados pela exposição à poluição atmosférica. A poluição do ar é uma grande ameaça ambiental para a saúde. A exposição a pequenas partículas no ambiente e em casa provoca aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano. Só a poluição atmosférica externa já gera custos enormes para a economia global, somando mais de US$ 5 trilhões em perdas na área do bem-estar em 2013.

A informação é publicada por Organização Mundial da Saúde, outubro 2018. A tradução é de Luísa Rabolini.

A evidência é clara: a poluição atmosférica tem um impacto devastador na saúde das crianças.

Esta crise de saúde pública está ganhando mais atenção, mas um aspecto crítico é muitas vezes esquecido: como a poluição atmosférica causa danos ainda maiores às crianças. Dados recentes lançados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a poluição do ar tem um enorme e terrível impacto na sobrevivência e na saúde infantil. No mundo todo, 93% das crianças vivem em ambientes com níveis de poluição atmosférica acima das diretrizes da OMS. Mais de uma a cada quatro mortes de crianças com menos de 5 anos têm relação direta ou indireta com riscos ambientais. Juntas, a poluição do ar interna e externa contribuem para infecções do trato respiratório que resultaram em 543.000 mortes de crianças com menos de 5 anos em 2016.

Embora a poluição atmosférica seja um problema global, a carga da doença atribuível ao material particulado no ar é mais pesada em países de baixa e média renda, particularmente nas regiões da OMS da África, do Sudeste Asiático, do Mediterrâneo Oriental e do Pacífico Ocidental. Os países dessas regiões – especialmente a região africana – têm os mais altos níveis de exposição a poluição atmosférica interna, devido ao uso de tecnologias e combustíveis poluentes para tarefas diárias básicas, como aquecimento, iluminação e para cozinhar alimentos (6). A pobreza está correlacionada com a alta exposição a riscos ambientais para a saúde. A pobreza também pode agravar os efeitos prejudiciais da poluição do ar para a saúde, limitando o acesso a informação, tratamento e outros recursos de cuidado da saúde.

As crianças estão excepcionalmente suscetíveis aos efeitos prejudiciais da poluição do ar para a saúde.

Elas são o futuro da sociedade. Mas também são a parcela mais vulnerável. A enorme ameaça da poluição atmosférica para a saúde infantil exige que os profissionais de saúde respondam com esforços concentrados e urgentes. Embora a investigação mais rigorosa sobre como a poluição atmosférica afeta a saúde infantil continue sendo valiosa, já há ampla evidência para justificar uma ação forte e rápida para impedir o dano que claramente produz. Os profissionais de saúde precisam se unir para priorizar essa ameaça por meio de esforços coletivos e coordenados. Para os milhões de crianças expostas ao ar poluído todos os dias, há pouco tempo a perder e muito a ganhar.

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