Carmelitas e Arautos serão substituídos por sacerdotes diocesanos de fora de Sucumbíos

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25 Mai 2011

Decisão salomônica da Igreja do Equador, que pode acabar ou multiplicar o escândalo em Sucumbíos. As congregações envolvidas são os Carmelitas Descalços e os Arautos do Evangelho. Na terça-feira, a Conferência Episcopal do Equador ordenou a saída de ambas de forma permanente da província de Sucumbíos, fronteira com a Colômbia.

A reportagem é publicada pela Agência Efe, 25-05-2011. A tradução é do Cepat.

Uma representante da organização "Apoio da Igreja de San Miguel de Sucumbíos" (ISAMIS), um conglomerado de associações entre o quais estão incluídos os Carmelitas, ressaltou à agência Efe que o conflito "não é um conflito entre duas congregações", mas uma disputa entre "modelos sociais, um comunitário (Carmelitas) e outro hierárquico (Arautos).

O Padre Bernardino Castro, do grupo da Renovação Carismática, simpático aos Arautos, por sua vez, manifestou à Efe que os Carmelitas representam apenas a parte social da Igreja e "se esquecem" da espiritual.

O conflito estourou com a chegada dos Arautos em outubro de 2010 a Sucumbíos, uma região em que os carmelitas praticamente começaram a Igreja católica, fundando organizações sociais e inclusive o Deportivo Caribe Junior, equipe de futebol que revelou Antonio Valencia, uma das figuras do Manchester United.

Durante 40 anos, o carmelita espanhol Gonzalo López Marañón foi seu bispo, mas em 2010 se aposentou e o Vaticano decidiu substituí-lo pelo Rafael Ibarguren, membro dos Arautos.

A representante da ISAMIS, que não quis se identificar porque trabalha em uma organização internacional, expôs que os Carmelitas estabeleceram um modelo comunitário através de uma Assembleia Diocesana, na qual todos eram iguais, desde o sacerdote, até as mulheres ou os indígenas.

Acrescentou que com a chegada dos Arautos "se quis implantar um modelo hierárquico no qual o sacerdote é visto como um Deus e uma imagem de poder", que está acima do resto das pessoas.

Com visão contrária, Castro argumentou que os Carmelitas representam um modelo "afastado dos fiéis", que não está "apegado à Igreja, mas à teoria da libertação social e marxista, na qual se valoriza mais o material que o espiritual".

Na sua opinião, tem que existir um equilíbrio entre ambas as facetas, representado pelos Arautos, disse o sacerdote, que indicou que os Carmelitas desobedeceram à Igreja ao não aceitar a chegada de Ibarguren.

No conflito interveio inclusive o presidente do Equador, Rafael Correa, que se opôs à nomeação de Ibarguren como bispo, porque, na sua opinião, pertence a "uma seita fundamentalista" de orientação "ultraconservadora".

A Conferência Episcopal do Equador, posteriormente, negou que a ordem fosse "uma seita".

Simpatizantes dos Carmelitas ocuparam durante meses a catedral de Nueva Loja, capital de Sucumbíos, até que no domingo os simpatizantes dos Arautos se organizaram para expulsá-los, o que acabou em confrontos violentos.

Outro conflito girou em torno da Rádio Sucumbíos, propriedade da Igreja, pois os Arautos tentaram demitir os seus empregados alegando falta de recursos para mantê-la. "A rádio sempre se autofinanciou e nunca recebeu dinheiro do vicariato", disse à Efe o jornalista desta cadeia Humberto Chávez.

Na sua opinião, há um "interesse" dessa congregação de se apropriar da emissora e "despojar" a Igreja dos serviços sociais que estava prestando, como a própria rádio, o centro para crianças órfãs ou o atendimento de refugiados colombianos.

Chávez ressaltou que representantes dos Arautos, sem aviso prévio nem nenhuma ordem, "entraram no estabelecimento e trocaram as chaves dos computadores".

No momento, a rádio está no ar, mas Chávez garantiu que há dias dormem na emissora, porque tem medo de que os simpatizantes dos Arautos entrem e ocupem o local.

Os Carmelitas e os Arautos serão substituídos por sacerdotes diocesanos vindos de outras províncias, que mediarão a situação, mas que previsivelmente não acabarão com o debate sobre que Igreja católica os fiéis de Sucumbíos querem, e do resto do mundo.

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