Uma perspectiva judaica sobre o Novo Testamento

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14 Janeiro 2012

O Novo Testamento é constantemente reinterpretado a partir de uma grande variedade de perspectivas. Das feministas, aos socialistas, passando pelos tradicionalistas. Há até mesmo uma versão vista através do prisma do Star Wars. Bem, agora você pode acrescentar à coleção The Jewish Annotated New Testament, de Amy-Jill Levine e Marc Zvi Brettler.

A reportagem é do sítio da National Public Radio, 24-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Levine, professora de Novo Testamento e Estudos Judaicos da Vanderbilt University, e Brettler, professora da cátedra Dora Golding de Estudos Bíblicos da Brandeis University, reuniram um grupo de estudiosos judeus para montar a primeira versão comentada do Novo Testamento a partir de uma perspectiva inteiramente judaica.

Levine cresceu em North Dartmouth, Massachussets, em um bairro predominantemente católico português, e foi aí que ela se fascinou pela primeira vez com o cristianismo. Ela conta que a missa católica lhe lembrava quando ela ia à sua própria sinagoga.

"Havia homens com vestes que falavam em uma língua que eu não entendia, mas de alguma forma era inspirador e espiritual", diz Levine.

The Jewish Annotated New Testament é a primeira vez em que estudiosos judeus se envolvem na edição de uma versão do Novo Testamento. Embora grande parte do Novo Testamento não seja subscrito pela fé judaica, Levine afirma que há muitas coisas no Novo Testamento que correspondem perfeitamente à história judaica primitiva.

"Grande parte do material ético do Novo Testamento é judaico, e grande parte da história apresentada é judaica", diz ela.

Reação da comunidade judaica

Levine diz que, em sua própria congregação em Nashville e em sinagogas em todo o país, ela recebeu uma reação positiva do livro e está sendo convidada a promover atividades educativas sobre o cristianismo primitivo.

"Penso firmemente que, se nós, judeus, quisermos que os cristãos nos respeitem, as nossas práticas, nossas crenças, nossas tradições e nossos textos precisam mostrar ao mundo em geral, e em particular ao mundo cristão, a mesma graça e a mesma cortesia", afirma.

A "benção" agora, diz Levine, é que os judeus e os cristãos hoje podem ter esse diálogo.

"Conversando uns com os outros, aprendemos mais sobre os outros e, idealmente, aprendemos mais sobre nós mesmos", diz.