Francisco e Gustavo Gutiérrez se abraçam na Casa Santa Marta

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Por: Jonas | 14 Setembro 2013

Foi uma audiência pessoal, na Casa Santa Marta. Sem holofotes, entre dois velhos conhecidos. Francisco e Gustavo Gutiérrez (foto) se abraçaram ontem, em Roma, simbolizando essa Igreja na primeira pessoa do plural que o Papa argentino promove, essa Igreja na qual todos nós cabemos, acima das diferenças. A Teologia da Libertação voltou a entrar nos aposentos vaticanos.

 
Fonte: http://goo.gl/1P7l1W  

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada no sítio Religión Digital, 13-09-2013. A tradução é do Cepat.

O encontro foi possível graças à mediação do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller, grande amigo do pai da Teologia da Libertação e que escreveu com ele o último livro que agora vem à luz na Itália. Aproveitando sua estadia em Roma, Müller – que em breve poderá ser nomeado cardeal – tornou possível um desejo que era do próprio Francisco.

O encontro é um passo a mais na reabilitação desta corrente teológica, cuja base – despojada do marxismo próprio da época em que surgiu, o período da Guerra Fria – é o centro da teologia de Francisco: a opção preferencial pelos pobres, os marginalizados, os que não possuem nada.

O passo seguinte, de acordo com diferentes fontes, seria a inclusão de Gutiérrez – que jamais foi condenado pelo Ex-Santo Ofício – no grupo de especialistas da Comissão Teológica Internacional.

“Ele me recorda muito João XXIII”, afirma numa das declarações para o Vatican Insider o teólogo peruano, que assinala: “penso que, talvez, ele esteja levando adiante o Evangelho, não exatamente uma teologia, no máximo uma teologia próxima à Teologia da Libertação. Falar da importância do pobre, do compromisso, da solidariedade com os pobres... Isso vem do Evangelho! E o Papa é muito evangélico, seu modo de atuar manifesta isto”.

Talvez dentro desse Evangelho, que une a todos os seguidores de Jesus, é onde se tenha que inserir esse abraço que ontem voltou a reunir o Bispo de Roma e a Teologia da Libertação. Depois de três décadas de incompreensão e condenações, o passo dado ontem denota mais uma vez os novos ares que se vislumbram no Vaticano. Numa primavera que hoje completa seis meses.

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