28 de maio de 1881 - Nascimento do cardeal Bea SJ, pai do ecumenismo

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03 Junho 2014

O cardeal Bea foi um jesuíta considerado por muitos como o pai e pioneiro do ecumenismo.

A nota é publicada por Jesuit Restoration 1814, 28-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Augustin Bea nasceu em Riedböhringen, Alemanha, em 28 de maio de 1881. Ele entrou para a Companhia de Jesus em 1902, aos 21 anos de idade.

Tinha uma formação como exegeta do Antigo Testamento. De 1924 até 1949, Bea ministrou cursos sobre a Bíblia na Universidade Gregoriana de Roma e no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, onde atuou como reitor de 1930 até 1949.

Ele auxiliou o Papa Pio XII com a sua encíclica sobre a sagrada liturgia, Mediator Dei, a qual sugeriu novos rumos e uma participação mais ativa, em vez de um papel meramente passivo dos fiéis na liturgia. Essa encíclica antecipou muitas das reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II.

Bea também ajudou na elaboração da encíclica de Pio XII sobre estudos bíblicos, Divino Afflante Spiritu. Ela motivou novas traduções da Bíblia a partir das línguas originais, em vez da venerável Vulgata Latina de São Jerônimo. Ela inaugurou o período moderno de estudos bíblicos da Igreja Católica Romana, incentivando o estudo da crítica textual. O exegeta católico Raymond E. Brown descreveu-a como uma "Carta Magna para o progresso bíblico".

O Papa João XXIII elevou-o cardeal em 1959, e ele se tornou o seu conselheiro mais próximo. Quando João XXIII começou os preparativos para o Concílio Vaticano II (1962-1965), ele encomendou a Bea a elaboração de um documento sobre a relação entre a Igreja Católica e o povo judeu para a discussão por parte do Concílio.

O texto que Bea escreveu foi revisto e ampliado, e finalmente se tornou a famosa declaração Nostra Aetate do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Bea foi uma figura importante no Concílio. Ele contribuiu de forma significativa para a Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina, Dei Verbum, de cuja comissão responsável pela sua elaboração ele foi copresidente.

Em 1960, dois anos antes do Vaticano II, João XXIII nomeou Bea como o primeiro presidente do Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A partir de então seu trabalho focou-se no ecumenismo. Bea faleceu em 1968, aos 87 anos de idade. Em Roma, ele residia no Colégio Pio Brasileiro.