O Papa ataca os “hipócritas” que “se disfarçam de bons católicos”

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Por: André | 19 Março 2014

A Quaresma é um tempo para “ajustar a vida”, “para aproximar-se do Senhor”. As palavras são do Papa Francisco e ditas em sua homilia matutina na missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta. O Santo Padre fez uma advertência para não se sentir “melhor que os outros”. E disse que os hipócritas “se disfarçam de bons” e não compreendem que “ninguém é justo por si mesmo”, posto que todos “temos necessidade de ser justificados”.

 
Fonte: http://bit.ly/1hx3LE5  

A reportagem está publicada no sítio da Rádio Vaticano, 18-03-2014. A tradução é de André Langer.

Com a palavra conversão, o Papa Francisco começou sua homilia, destacando que se trata da palavra chave da Quaresma, tempo propício “para aproximar-se” de Jesus. E comentando a primeira leitura, tomada do Livro de Isaías, observou que o Senhor chama à conversão duas “cidades pecadoras” como Sodoma e Gomorra. O que evidencia que todos “temos necessidade de mudar a nossa vida”, olhar “bem para a nossa alma” onde sempre encontraremos algo. A Quaresma, acrescentou, é precisamente isto, “ajustar a vida”, aproximar-se do Senhor. Porque Ele, disse o Papa, “nos quer próximos” e nos assegura que “nos espera perdoando-nos”. Contudo, acrescentou, o Senhor quer “uma aproximação sincera” e nos previne para não sermos hipócritas.

“O que fazem os hipócritas? Disfarçam-se, disfarçam-se de bons: fazem cara de santinhos, rezam olhando para o céu, fazendo-se ver, sentem-se mais justos que os outros, desprezam os outros. ‘Mas – dizem –, eu sou muito católico, porque meu tio é um grande benfeitor, minha família é esta, e eu sou... aprendi... conheci este bispo, aquele cardeal, este outro padre... Eu sou...’. Sentem-se melhores que os outros. Isto é hipocrisia. O Senhor disse: ‘Não, isso não’. Ninguém é justo por si mesmo. Todos temos necessidade de ser justificados. E o único que nos justifica é Jesus Cristo”.

Por esta razão, acrescentou o Papa, devemos aproximar-nos do Senhor: “Para não sermos cristãos disfarçados, que quando passa esta aparência, vê-se a realidade, isto é, que não são cristãos”. Diante da pergunta de como fazer para não ser hipócritas e nos aproximarmos do Senhor, Francisco disse que quem nos dá a resposta é o próprio Senhor na primeira leitura, quando diz: “Lavem-se, purifiquem-se, afastem dos meus olhos o mal das suas ações, deixem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem”. Este é o convite. E ao perguntar qual é o sinal que indica que estamos no caminho certo, o Papa disse:

“Socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. Cuidar do próximo: do doente, do pobre, do necessitado, do ignorante. Esta é a medida de comparação. Os hipócritas não sabem fazer isso, não podem, porque estão tão preocupados consigo mesmos que estão cegos para olhar para os outros. Quando alguém caminha um pouco e se aproxima do Senhor, a luz do Senhor o faz ver essas coisas e vai ajudar os irmãos. Este é o sinal, este é o sinal da conversão.”

O Papa observou que certamente “não é toda a conversão”, isso é, com efeito, “o encontro com Jesus Cristo”, mas “o sinal de que nós estamos com Jesus Cristo é este: socorrer os irmãos, os pobres, os oprimidos, como o Senhor nos ensina” e como lemos no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“A Quaresma é para ajustar a vida, arrumá-la, mudar de vida para aproximar-se do Senhor. O sinal de que estamos distantes do Senhor é a hipocrisia. O hipócrita não necessita do Senhor, pensa que se salva sozinho, e se fantasia de santo. O sinal de que nós nos aproximamos do Senhor com a penitência, pedindo perdão, é que nós cuidamos dos irmãos necessitados. Que o Senhor dê a todos luz e coragem: luz para conhecer o que acontece dentro de nós e coragem para nos converter, para nos aproximar do Senhor. É belo estar próximo do Senhor.”