Habermas: Ao pressionar Grécia, Merkel arrisca reputação alemã reconstruída no pós-guerra

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17 Julho 2015

O filósofo alemão Jürgen Habermas criticou a chanceler de seu país, Angela Merkel, por sua postura rigorosa durante as negociações por um acordo de austeridade com a Grécia, durante entrevista ao The Guardian nesta quinta-feira (16/07). Habermas afirmou ainda que o curso das negociações, lideradas por Merkel, entre Grécia e credores põe em risco a reputação alemã do pós-guerra.

"Forçar o governo grego para concordar com um fundo de privatização economicamente questionável, predominantemente simbólico, não pode ser entendido como nada além de um ato de punição contra um governo de esquerda", afirmou.

 A informação é publicada por Opera Mundi, 16-07-2015.

Para o expoente da teoria crítica contemporânea, Merkel põe em risco todos os esforços das últimas gerações de chefes de governo que tentaram reconstruir a reputação da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, ao endurecer as negociações por um resgate financeiro que estabilize a crise econômica que Atenas enfrenta.

"Temo que o governo alemão, incluindo a sua facção social-democrata, tenha apostado em apenas uma noite todo o capital político que uma Alemanha melhorada tinha acumulado em meio século", analisou o intelectual. “Governos alemães anteriores exibiram maior sensibilidade política e uma mentalidade pós-nacional", acrescentou.

Esta é a primeira declaração de Habermas desde a assinatura do acordo entre o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), que aconteceu na madrugada de segunda-feira (13/07). Segundo ele, a Alemanha “revelou-se de forma sem vergonha como chefe disciplinadora da Europa” durante as negociações.

Aos seus olhos, o resultado do pacto entre Tsipras e os líderes da zona do euro "não faz sentido em termos econômicos, devido à mistura tóxica entre as reformas estruturais necessárias do Estado e da economia e as imposições neoliberais que irão desencorajar completamente uma população grega, que já está esgotada, além de matar qualquer ímpeto para o crescimento do país”.

Em sua reflexão sobre a sociedade, direito e democracia em esfera pública, Jürgen Habermas conclui que casos — como a crise grega — mostram que a Europa mantém-se em um estado inexorável de tensão ao estar “presa em uma armadilha política”.

"Sem uma política econômica e financeira comum, as economias nacionais dos Estados-membros pseudo-soberanos continuarão a decair em termos de produtividade. Nenhuma comunidade política pode sustentar tal tensão no longo prazo”, acredita.