O que está acontecendo com a religião neste momento?

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Por: André | 16 Junho 2015

“Mas há uma coisa em relação à qual não posso me calar. Esta ausência chocante, este silêncio, da religião na Espanha (e na Europa), quando estão sendo tomadas decisões que serão determinantes (...), nos está dizendo aos gritos que a religião anda desorientada, perdida, na sociedade espanhola”.

A reflexão é de José María Castillo, teólogo espanhol, e publicada por Religión Digital, 14-06-2015. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Chama a atenção o fato de que, neste momento – quando em nosso país [Espanha] estão sendo decididas coisas tão importantes para tanta gente –, a religião esteja tão ausente. Ao menos, pelo que se diz e se ouve, a impressão que se pode ter (e é inevitável) é que não se tem em conta o tema da religião.

Não se ouve os bispos falarem em público sobre este assunto. Os políticos, quando fazem alusão ao tema é para referir-se aos acordos do Estado com o Vaticano, para dizer que aborto sim, aborto não, ou em outros casos (em minoria) para elogiar ou atacar os homossexuais e suas pretensões. Já sei que tudo isso pode e deve ser mais matizado. Mas, em todo o caso, o que está acontecendo com a religião para que esteja tão ausente do que está acontecendo em nossa sociedade?

Como é lógico, não é este o lugar nem o momento para dar-se ao trabalho de escrever uma análise aprofundada sobre um assunto tão complexo. Mas há uma coisa (pelo menos uma) em relação à qual não posso me calar. Esta ausência chocante, este silêncio, da religião na Espanha (e na Europa), quando estão sendo tomadas decisões que serão determinantes, para o bem ou para o mal e talvez para muitos anos, nos está dizendo aos gritos que a religião anda desorientada, perdida, na sociedade espanhola. Muitas coisas podem ser discutidas no que se refere ao que acabo de dizer. Mas há algo que está fora de dúvida.

A religião dá uma importância maior aos seus ritos e às suas normas do que à ética proposta pelo Evangelho. Seguramente, em teoria, haverá muita gente que não está de acordo com o que acabo de dizer. Mas, aqui não estou falando das teorias que cada qual tenha ou possa ter.

Aqui estou falando do que estamos vivendo, do que acontece e daquilo que todos estão vendo. A verdade é que, excetuando-se o caso exemplar do Papa Francisco (e mais alguns clérigos), sem poder remediá-lo, temos a sensação de que o espantoso tema da corrupção econômica e política, que nos atropela e nos oprime, parece não preocupar muito os “homens da religião”.

Não é este um dos fenômenos mais graves que estamos enfrentando? Não chegou a hora de dizer aos profissionais da religião que a coisa mais essencial na vida – e, portanto, na própria religião – não são os rituais e as cerimônias, mas a ética da honestidade, a decência e a honradez?