Pier Giorgio Frassati, leigo não clerical

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Mai 2015

Há vinte e cinco anos João Paulo II beatificava o jovem de Turim, filho do diretor de “La Stampa”, que com o seu modo de viver a fé antecipou o Concílio Vaticano II.

O discurso com o qual o Papa Francisco auspiciou uma renovada responsabilidade dos leigos foi pronunciado numa mão-cheia de horas de distância do vigésimo quinto aniversário da beatificação de Pier Giorgio Frassati, ocorrido aos 20 de maio de 1990. Foi João Paulo II quem a celebrou, após tê-la desejado: como arcebispo de Cracóvia Wojtyla ficara fascinado pela figura daquele jovem cheio de vida e amante da montanha, que dava aos pobres o dinheiro que tinha. E reconhecia sua força e atualidade.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 20-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Arturo Carlo Jemolo havia notado como Pier Giorgio teria antecipado em trinta anos as indicações dadas pelo Concílio Vaticano II sobre o papel dos leigos na Igreja, e precisamente durante o Sínodo dedicado aos leigos o Papa Wojtyla o declarou venerável, apresentando-o como exemplo. Na homilia da beatificação, há 25 anos, são João Paulo II o definia como “homem das oito bem-aventuranças”, apresentava sua vida como “uma aventura maravilhosa” e falava do novo beato como exemplo que a santidade “está ao alcance de todos”.

Já  em março de 1977, portanto um ano e meio antes de ser eleito Papa, o então cardeal Wojtyla, inaugurando uma mostra sobre Frassati promovida pelos dominicanos em Cracóvia, havia dito aos jovens presentes: “Observai bem estas fotografias, como aparecia o homem das oito bem-aventuranças, que carrega consigo a graça do Evangelho, da Boa Nova, a alegria da salvação oferecida por Cristo, em si mesmo para todos os dias, como cada um de vocês; como um verdadeiro jovem homem, estudante, rapaz, vosso coetâneo para estas três gerações. Ide e observai como era o homem das oito bem-aventuranças... Nascido no início deste século, morreu jovem como frequentemente morrem os santos”. Quase uma beatificação antecipada. “Também eu, na minha juventude, senti o benéfico influxo do seu exemplo e, como estudante, fiquei impressionado pela força do seu testemunho cristão – confessará João Paulo II em 1989, vindo rezar sobre a tumba de Pier Giorgio no cemitério de Pollone. "Ele ofereceu a todos uma proposta que também hoje não perdeu nada de sua força cativante”.  

Para a próxima Jornada mundial da Juventude de Cracóvia, Francisco escolheu como tema as bem-aventuranças. O cardeal Stanislao Dziwisz solicitou a presença das relíquias do corpo de Frassati durante a JMJ, como já ocorrera em 2008, para a Jornada de Sidney. “O lema da jornada é bem-aventurados os misericordiosos porque encontrarão misericórdia – disse Dziwisz. O Santo Padre João Paulo II chamou Pier Giorgio o “Homem das oito Bem-aventuranças”, já como cardeal de Cracóvia. Por este motivo, me parece que a presença de suas relíquias seja uma iniciativa pastoral particularmente preciosa”.

Pier Giorgio Frassati é amado e venerado em todo o mundo: da Patagônia, onde se ergue um dos mais difíceis cumes a escalar, o “Cerro Pier Giorgio”, à Polônia onde a recorrência do 25° aniversário é festejada em Rybnik com três dias de preces pela paz por mais de 500 jovens “Tipi loschi” [Tipos dúbios, estrábicas] (o nome que o beato quis dar à “companhia” por ele fundada) que seguem o seu exemplo e a pastoral universitária de Lubino e de Poznan estão sob o seu patrocínio. Das Filipinas a Paris, onde os “Types Louches” se prodigalizam na ajuda aos mais marginalizados; dos USA, onde a Conferência Episcopal dos Estados Unidos nomeou ultimamente o beato Pier Giorgio protetor das JMJ, onde nos seminários andares inteiros são dedicados a ele e onde muitos jovens, escolhendo a ordem dominicana, assumem o nome de frei Pier Giorgio.

Ele é venerado na Austrália, onde o arcebispo de Melbourne dirige aos jovens de sua diocese uma mensagem toda baseada em Pier Giorgio, incluindo um vídeo com uma prece a ele dirigida; isso porque os jovens, e não só os leigos, mas também seminaristas e sacerdotes podem identificar-se com ele e nele encontrar a força e a coragem de quem soube, embora conduzindo uma vida normal de estudante, amar Cristo e amá-lo até o fundo nos pobres e sofredores, viver o seu cristianismo com uma espontaneidade “que quase dá medo”, como escrevia Karl Rahner. Mas, ao mesmo tempo, considerá-lo como um amigo que à amizade dava uma importância toda particular.