O Vaticano abordará a “ideologia de gênero” em conferência sobre a mulher

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Por: André | 22 Mai 2015

O Vaticano estudará o papel da mulher no desenvolvimento do mundo e analisará sua situação diante de fenômenos contemporâneos como a “ideologia de gênero”, que luta pela eliminação das diferenças entre os sexos.

A reportagem é publicada por Terra, 21-05-2015. A tradução é de André Langer.

Fará isso na II Conferência Internacional sobre a Mulher, que começou nesta sexta-feira e termina no domingo, no Vaticano, e que tem por título “As mulheres e a agenda para o desenvolvimento pós-2015: desafios dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.

O simpósio estudará algumas questões “nevrálgicas” para a mulher atual, como “a antropologia feminina diante da cultura moderna” ou a chamada “ideologia de gênero”, que defende que não existem diferenças biológicas entre homens e mulheres e que foi apelidada pelo Papa Francisco de “colonização ideológica”.

O simpósio foi organizado pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz junto com a União Mundial de Organizações de Mulheres Católicas e a Aliança Mundial de Mulheres pela Vida e a Família, entre outros organismos.

O presidente do Pontifício Conselho, o cardeal Peter Turkson, explicou, nesta quinta-feira, durante a apresentação do evento, que os participantes do encontro serão mais de 100 e majoritariamente mulheres.

Serão originários de contextos culturais e sociais dos cinco continentes para “proporcionar o ponto de vista mais amplo possível sobre as principais questões contemporâneas que afetam a mulher em nível mundial”.

Também abordará a educação ou o papel que as mulheres estão chamadas a desempenhar no diálogo inter-religioso como “via para uma paz duradoura no mundo”.

“Os múltiplos episódios dos últimos tempos fizeram com que as mulheres e crianças sejam vítimas de atrocidades indescritíveis, que envolveram inclusive violência sexual. (...) Estes episódios exigem a intensificação do diálogo religioso para condenar com força” estes fatos, assinalou Turkson.

Além disso, o cardeal disse que esta conferência será uma oportunidade para analisar as “velhas e novas formas de escravidão e de violência” sofridas pelas mulheres.

Neste sentido, alertou que, enquanto no Ocidente “há casos de violência doméstica”, em outras regiões mais pobres há “infanticídios de meninas e abortos seletivos de fetos”.

Uma situação que constitui, na opinião do cardeal, “extremas violações da dignidade e dos direitos da mulher, em primeiro lugar do seu direito à vida”.

Também haverá um debate sobre “o escandaloso e abominável fenômeno” do tráfico de seres humanos já que, segundo a Organização Internacional do Trabalho e o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, quase 21 milhões de pessoas são vítimas da prostituição, tráfico de órgãos e do trabalho forçado.

Uma cúpula que será uma “contribuição” para as negociações para elaborar a nova agenda para o desenvolvimento pós-2015, em curso nas Nações Unidas, porque, na sua opinião, “a mulher desenvolve um papel chave na redução do pobreza, da fome no mundo, na educação e na proteção da vida”.