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11 Novembro 2016

"O mundo mudou", eram as manchetes oito anos atrás, quando Barack Obama conquistou a maioria dos estadunidenses com a sua mensagem de esperança e de mudança. O primeiro negro na Casa Branca e uma mão aberta para o resto do planeta.

A reportagem é de Mario Calabresi, publicada no jornal La Repubblica, 10-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa promessa foi realizada apenas em parte, enquanto o terrorismo e os novos nacionalismos continuaram prosperando, enquanto a frustração daqueles que não conseguem mais imaginar o futuro transformou a esperança de mudança em raiva e vontade de ruptura.

"O mundo mudou" novamente na manhã dessa quarta-feira, de um modo ainda mais radical e perturbador. Estamos diante da eleição de um homem que tinha tudo contra ele, da biografia improvável por estar salpicada de escândalos e fracassos à inexperiência conclamada, mas que conseguiu encarnar na sua pessoa o gesto libertador, considerado capaz de derrubar a mesa da velha política e do status quo.

Em cena – conta Ezio Mauro, interrogando-se sobre o estado de saúde da democracia – apareceu um tocador de flauta capaz de reunir os homens e as mulheres esquecidos dos EUA, tocando o sino do resgate.

Se isso aconteceu, reflete Alessandro Baricco, é porque estamos diante de uma mutação antropológica que levou à eliminação das mediações nos mais diversos campos da nossa vida, com a consequência de ver as elites culturais como algo de inútil que pode ser recusado.

Subestimamos a ferida de quem viu traído o pacto entre gerações, de quem soma o medo dos estrangeiros à ansiedade diante da globalização, à recusa da sociedade multi-étnica. A náusea pelo politicamente correto ou a reivindicação de que o homem branco voltasse a se sentar à cabeceira fizeram o resto.

Só nos resta refletir, como faz a escritora Elizabeth Strout, sobre o vício dos jornais de confundir os desejos com a realidade, mas agora cabe a nós tentar entender qual será o mundo que nos espera.

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