15 Junho 2013
Depois da sua eleição, Jorge Mario Bergoglio não deixou de tentar ser quem ele foi na Argentina. Mas ele pode resistir por muito tempo ao apetite do mundo pelo "papa"?
A nota é de Philippe Clanché, publicada no blog Cathoreve, 10-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eleito em parte por rejeição aos príncipes romanos, ele fez a escolha de viver na Casa Santa Marta, dirigindo-se ao Palácio Apostólico assim como outros vão para o escritório. Neste verão, ele não vai pegar um pouco de ar fresco em Castel Gandolfo. A sua missa matinal, com os funcionários da Santa Sé, se tornou um lugar muito concorrido, ainda mais que lá pronuncia homilias muito pessoais e em um estilo pouco papal.
Francisco acaba de ganhar um ponto ao rejeitar que esses encontros matinais sejam filmados pela televisão do Vaticano. Como se a eucaristia do início da jornada fosse presidida pelo padre Bergoglio e não pelo chefe de mais de um bilhão de católicos.
Na Argentina, a Franciscomania está no auge, e o papa não pode fazer nada. Entre os dias 4 e 28 de junho, no mosteiro Santa Catarina da capital, pode-se admirar a exposição fotográfica dedicada ao Papa Francisco, "servidor em Buenos Aires, servidor pelo mundo".
Como contava o sítio France Inter no dia 7 de junho, a prefeitura de Buenos Aires organiza passeios turísticos (gratuitos) nas pegadas da nova estrela local. Os turistas-peregrinos podem descobrir os lugares que marcaram o futuro papa e encontrar pessoas que foram próximas ao arcebispo da capital: o seu cabeleireiro, o seu jornaleiro, a quem ele teria telefonado para lhe dizer que não precisava mais levar o jornal todas as manhãs...
Certamente, o Bergoglio Tour termina na catedral, onde não falta interesse espiritual. Mas, então, eles fazem com que você se maravilhe diante do confessionário em que o jovem Jorge Mario teria decidido a sua vocação religiosa.
A sua imagem lhe escapa. Mais. O seu desejo, mais do que louvável, de falar com as pessoas com simplicidade, que não era a marca registrada de Bento XVI, o torna ainda mais sujeito a se tornar uma "vedete".
Pode-se temer que o culto da personalidade já seja consubstancial a essa função. Já podemos imaginar a histeria em torno da sua vinda ao Rio de Janeiro no próximo mês para a Jornada Mundial da Juventude.
O que Francisco pode fazer contra aquela que é, com toda a evidência, uma realidade dos tempos, fruto da midiatização e de uma necessidade popular de heróis fundadores que a classe política não é capaz de fornecer? Gostaríamos que o octeto de prelados atualmente em missão de estudos abordasse essa questão.
Parece haver uma solução, para além da dessacralização bem iniciada, uma verdadeira discussão do funcionamento piramidal monárquico. Diluindo o poder real e simbólico concentrado hoje em um único homem, se poderia permitir que este seja percebido unicamente como uma pessoa normal, não como um ícone.
Mas para isso será preciso derrubar muitos, mas muitos hábitos. E nesse imenso trabalho de "desconstrução de estrelas", os vendedores de suvenires da Praça de São Pedro não serão os mais difíceis de convencer.