Você acredita em um futuro melhor? Um projeto em ação

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Por: Karen | 18 Mai 2013

Esse foi o questionamento realizado por uma participante do Projeto Gênero e Políticas Públicas, desenvolvido nas dependências da Casa do Trabalhador, Regional Bairro Novo, em Curitiba, pelo Cepat/CJ-Cias. Na verdade, tal indagação deve se estender a todos nós: o que estamos fazendo para alcançar um futuro melhor? Você acredita em um futuro melhor?

O mundo possui muitas interpretações e significados, interfaces e possibilidades em seu cenário político, econômico, cultural e social. Há os que julgam natural a atual organização da sociedade e, inclusive, ainda há aqueles que a consideram como necessária. Assim como também há os que dizem que o mundo só tende a piorar, referindo-se ao apocalipse. Já outros questionam e criticam o panorama atual e acreditam em um futuro melhor. Foi exatamente essa diversidade de olhares que foi possível perceber no debate sobre a Constituição Federal de 1988, realizado com a assessoria de Ricardo Prestes Pazello, professor da Universidade Federal do Paraná e membro da coordenação do Centro de Formação Milton - Santos Lorenzo Milani.
 
Interessante, através de uma simples pergunta foram possíveis tantas interpretações e, ao mesmo tempo, muitas reflexões. Esse grupo tem buscado conhecer as políticas públicas e, assim, participar efetivamente nos espaços de controle social. Trata-se de uma dinâmica de encontros que procura possibilitar a compreensão da organização do sistema administrativo de uma cidade e como minimamente os participantes do grupo de Gênero e Políticas Públicas podem se organizar em suas muitas especificidades e experiências de vida. A partir desse grupo, acreditamos e nos mobilizamos para o efetivo exercício do controle social através da participação popular.

Em tal contexto, pretende-se resgatar a memória histórica desse lugar (região sul de Curitiba/PR), aceitando também o desafio de encontrar ferramentas para desvelar que o espaço urbano é complexo, desigual e heterogêneo, por isso é necessário superar a cultura da fragmentação nas políticas públicas. É necessário denunciar a estrutura política “instaurada”, que se apresenta em sua faceta neoliberal, por meio de decisões governamentais que caminham na contracorrente da democracia e da cidadania ativa. Tudo isso, infelizmente, tem alimentado a organização de políticas setoriais focalistas e privatistas.

Ao se analisar para onde caminham as políticas públicas, o que deve ser considerado é a forma como a sociedade está organizada, compreendendo a realidade na qual a comunidade em que trabalhamos se insere. Além disso, é necessário questionar como as políticas de proteção social no Brasil podem favorecer uma luta coletiva ou até mesmo levantar a reflexão a respeito da desigualdade brasileira e como realmente superá-la.

O Projeto Gênero e Políticas Públicas, de caráter complementar, focado na educação popular e estruturado com base na PNASPolítica Nacional de Assistência Social, busca uma permanente identificação das demandas da sociedade, com ênfase nas Políticas Públicas, e a possibilidade da transversalidade. Além de respeitar a compreensão das especificidades regionais e culturais, através da mobilização para o exercício da cidadania, fortalecendo espaços que possibilitem a uma cidadania ativa, com sujeitos organizados.

É desta maneira que acreditamos e construímos um futuro melhor, sem nos isentarmos de reconhecermos as contradições e interesses que permeiam a organização da sociedade. É urgente a organização da comunidade, a mobilização e a efetiva participação popular para a construção de Políticas Públicas que atendam a realidade e as especificidades das comunidades e grupos populares. Para trabalhar com as duras realidades sociais, que se apresentam em constante movimento, não se deve ficar restringido a leituras e reflexões, caso estas não se convertam numa maior atenção e sensibilidade com os marginalizados pela conjuntura social, econômica, política e cultural contemporânea. Sem esta pegada, a reprodução de um sistema desigual, excludente e violento persistirá.

Texto de Karen Albini, da equipe do Cepat/CJ-Cias.