80% da América Latina vive nas cidades

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22 Agosto 2012

Com quase 80% de sua população nas cidades, a América Latina é uma das regiões mais urbanizadas do mundo, mas convive com redução do crescimento demográfico e praticamente com o fim da migração campo-cidade, responsável pelo "boom" da urbanização até os anos 90.

As conclusões são do relatório "Estado das Cidades da América Latina e Caribe 2012", divulgado ontem pelo programa ONU-Habitat.

A reportagem é de Pedro Soares e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 22-08-2012.

Na região, 79,4% da população residia em cidades em 2010, nível só inferior aos do norte da Europa (84,4%) e da América do Norte (82,1%).

O relatório destaca, no entanto, que a urbanização, que "explodiu" entre 1950 e 1990 e gerou oito megacidades (mais de 5 milhões de habitantes), perdeu força nas duas últimas décadas.

Tal fenômeno é fruto do menor crescimento populacional, proporcionado pela redução da natalidade. Ainda assim, a ONU estima que 90% da população da região viverá em cidades em 2050.

A troca da migração campo-cidade pelo modelo cidade-cidade (de concentrações urbanas maiores para menores) fez as megalópoles crescerem de modo mais lento do que as cidades médias (até 500 mil habitantes).

Diante desse quadro e da oportunidade gerada pelo fato de a América Latina ter hoje mais pessoas em idade para trabalhar do que inativos (crianças e idosos), a ONU recomenda que se invista em novas soluções de transporte e infraestrutura, revendo o planejamento urbano e as regras do mercado imobiliário.

Erik Vitrupp, técnico do ONU-Habitat, criticou o processo crescente de "espalhamento" e de expansão de grandes "manchas urbanas".

Quanto mais concentradas, diz, menos investimentos são necessários em transporte e serviços públicos.

"Essa é a vantagem da urbanização. O modelo atual de crescimento das cidades é insustentável."

Como exemplos de expansão horizontal, o relatório cita Brasília, Manaus e Belém.

Para o professor Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, a verticalização das cidades "não é algo necessariamente ruim, mas depende da forma como se faz".

Um bom exemplo, afirma, é o das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), no Rio, que tendem a atrair mais pessoas para favelas - o projeto também foi destacado no relatório da ONU.

Segundo a ONU, a falta de moradias é o principal problema da região, com deficit de 51 milhões de casas (2011). Já o percentual de habitantes em favelas caiu de 33% para 24% da população entre 1990 e 2010.

Por outro lado, o acesso a serviços públicos "melhorou consideravelmente", com cobertura de 97% de água encanada e 86% de esgoto.