24 Julho 2012

A cidade de Londres, que acolhe a tocha olímpica, está envolta em mistério. O Sunday Telegraph foi publicado nessa segunda-feira de manhã com um título chocante: o mistério da idade do arcebispo de York. Não é pouca coisa, já que o envolvido, John Sentamu (foto), é candidato à sucessão de Rowan Williams, no próximo mês de setembro, e se tornaria, portanto, primaz da Igreja da Inglaterra.
A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 23-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um caso policialesco, segundo o jornal inglês, já que a data de nascimento oficial seria 10 de junho de 1949, portanto, 63 anos de idade, mas existe uma série de documentos, devidamente assinados pelo arcebispo, que indicariam dois anos a mais e levariam o nascimento a 1947.
Mas o que são dois anos? Nada, se a pessoa em questão fosse outra, mas 65 anos seria demais para o futuro arcebispo de Canterbury, pois ele acabaria alcançando a idade de aposentadoria – 70 anos – antes do crucial ano de 2018 para a Igreja Anglicana, com a prevista Conferência de Lambeth esperado. Se assim for, se Sentamu realmente tiver nascido em 1947, ele não poderá se tornar primaz.
O mistério estaria encerrado em nada menos do que três documentos assinados por seu próprio punho: em dois deles, de 1966, o arcebispo de York, natural da Uganda, teria indicado 1947, depois o número 7 foi corrigido com um 9; em terceiro, de 2005, depositado depois da sua nomeação a arcebispo de York, a data 1947 nunca foi corrigida.
O jornal também informa que alguns indícios podem ser encontrados ainda em 1988, quando foi noticiada a sua eleição ao Sínodo Geral, primeiro padre de origem africana, e lhe foi atribuída uma idade de 40 anos.
Não sabemos como Sentamu recebeu a notícia, mas a sua resposta certamente não demorou, se é verdade que o seu porta-voz, Kerron Cross, tomou papel e caneta e escreveu imediatamente ao editor, Ian MacGregor, para expressar o seu desapontamento, como se lê em uma carta aberta publicada no site do arcebispo de York.
Ele a define como uma "história inexistente" a notícia da página 14, pois, se o autor tivesse verificado os seus certificados de nascimento, casamento, passaporte e a carteira de motorista poderia facilmente verificar que a data é sempre o dia 10 de junho de 1949.
Cross, que assina no site como "diretor de comunicações para o arcebispo de York", afirma já ter explicado tudo ao jornalista em questão, Edward Malnick, mas que este teria se obstinado a escrever igualmente o seu artigo, indicando os fatos como "um mistério".
Como confirmação de tudo isso, são acrescentadas à carta as fotocópias dos documentos de Sentamu com uma frase conclusiva: "O que há de tão misterioso nisso?". Aos ingleses, só resta esperar o próximo movimento.