22 Mai 2012
O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, considera que o pacote de medidas para incentivar o setor automotivo surtirá o efeito esperado, apesar do atual cenário de inadimplência nas carteiras de veículos. "O que tem de positivo [nas medidas] é que são integradas. Atingiram desde a redução da carga tributária do bem, como a carga tributária das operações de crédito e a revisão dos percentuais de depósito compulsório", afirmou Trabuco ao Valor, por telefone, enquanto o ministro Guido Mantega (Fazenda) detalhava as medidas. Ele destacou que as reduções do compulsório e do IOF sobre crédito eram consideradas necessárias pelos bancos no debate para reduzir o spread bancário.
A reportagem é de Vanessa Adachi e Aline Lima e publicada pelo jornal Valor, 22-05-2012.
Trabuco participou ontem pela manhã, em São Paulo, da reunião com o ministro Mantega em que as medidas foram costuradas com banqueiros e montadoras.
O executivo não vê no elevado endividamento das famílias e da inadimplência um obstáculo ao sucesso do pacote. "Como haverá uma desoneração fiscal, com redução do tamanho das prestações, haverá um alívio", disse, elogiando a coordenação de Mantega. "Mostrou agilidade e sintonia grande."
Segundo Trabuco, o "crédito está aberto e sempre esteve". "A inadimplência terá uma redução forte no segundo semestre", disse ao prever crescimento mais forte da economia e do crédito no segundo semestre.
A redução de impostos combinada à liberação de compulsório produz um efeito automático de expansão do número de potenciais tomadores. O corte promovido nos tributos ajuda a baratear o preço do automóvel, enquanto a liberação de compulsório diminui o custo de "funding" dos bancos.
"A renda mínima necessária para um financiamento vai cair porque a prestação pode ficar mais baixa", diz Décio Carbonari, presidente da Anef, que reúne os bancos de montadoras, e do Banco Volkswagen. Se para uma prestação de R$ 500 é exigida renda mínima de R$ 2 mil, quando ela cai para R$ 450, a renda mínima passa para R$ 1,8 mil, sem que o banco mexa em suas políticas de risco.
Há dúvidas, porém, sobre a disposição dos bancos para ampliar o número de parcelas e reduzir o valor de entrada diante da inadimplência. Na avaliação do executivo, prazo de 72 meses como era praticado há menos de um ano será "pouquíssimo provável". Especialistas acreditam que foram justamente os financiamentos oferecidos nessas condições que alimentaram a inadimplência do setor. Em março, os atrasos entre 15 e 90 dias equivaliam a 8,5%, o índice mais alto desde outubro de 2011.