Equador. CMI apoia projeto do governo equatoriano que mantém poços de petróleo intocáveis

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14 Outubro 2011

Após reunião com o ministro das Relações Exteriores, Comércio e Integração do Equador, Ricardo Patiño, membros da equipe do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) declararam que a iniciativa Yasuni Ishpingo Tambococha Tiputini, do governo equatoriano, é um modelo corajoso de desenvolvimento.

A reunião aconteceu no Centro Ecumênico, em Genebra, no dia 10 de outubro, e foi organizada pelo CMI a pedido do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) para tratar sobre o projeto Yasuni.

A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC, 13-10-2011.

O projeto quer interrromper a extração de mais de 840 milhões de barris de petróleo da área de Yasuni, que representa 20% das reservas conhecidas de petróleo do país.

O Parque Nacional Yasuni é uma área de 9.820 Km2 entre os rios Napo e Curaray, na parte da Amazônia que está em território equatoriano. O parque fica a cerca de 250 km de Quito e foi designado como Reserva da Biosfera, pelo UNESCO, em 1989. É, também, o lar de duas culturas indígenas e uma das áreas de maior biodiversidade no mundo.

O governo do Equador lançou o projeto Yasuni no ano passado para proteger os ricos recursos naturais daquela área, buscando cerca de 3,6 bilhões de dólares em doações dos EUA e das nações desenvolvidas e fundações até 2024, em troca de deixar um número estimado de 846 milhões de barris de petróleo no solo.

"Essa iniciativa é baseada numa mudança de paradigma de um modelo sustentável de desenvolvimento com um combustível pós-fóssil", explicou Patiño.

Ele solicitou apoio das igrejas para divulgar informações sobre o projeto, a fim de encorajar uma campanha da sociedade civil mundial para materializar a iniciativa.

"Devido ao trabalho do conselho de justiça ecológica, os problemas dos povos indígenas, especialmente em relação a ecocréditos, juntamente com o CLAI na década de 1990, buscamos a colaboração mútua para encontrar apoio à iniciativa Yasuní", disse Patiño.

”O Equador está buscando apoio de governos, de fundações, do setor privado e do público em geral para sustentar esta iniciativa", disse Ivonne Baki, representante do governo e chefe da equipe de negociação da iniciativa Yasuni.

A iniciativa Yasuní protege a diversidade, contribui para a subsistência e proteção da cultura das comunidades indígenas e reduz as emissões de gases que geram o efeito estufa.

Essas observações feitas durante a reunião foram consideradas significativas, uma vez que a exploração dessas reservas representaria uma emissão de 407 milhões de toneladas de CO2, um dos principais agentes responsáveis pelas mudanças climáticas, representando um montante equivalente às emissões anuais de países como o Brasil e a França.

A iniciativa foi descrita como corajosa por Georges Lemopoulos, vice-secretário geral do CMI.

"Vocês estão se movendo contra a corrente num mundo ansioso para explorar os recursos naturais sem qualquer consideração às necessidades de preservar a criação. Por isso, são pioneiros e corajosos nessa empreitada", disse Lemopoulos.

O diretor do programa do CMI “Justiça, Diaconia e Responsabilidade pela Criação”, Rogate Mshana, destacou a importância do projeto para o povo indígena. "Essa iniciativa do governo equatoriano - abster-se de extrair 846 milhões de barris de reservas de petróleo, com vista a proteger a rica biodiversidade do país e apoiar o isolamento voluntário dos povos indígenas que vivem no Parque Yasuni - merece ser elogiada", disse.

Franklin Canelos, coordenador do programa do CLAI sobre “Economia, Fé e Sociedade” salientou a importância das vozes da Igreja apoiarem o Equador no desenvolvimento do projeto.

"A iniciativa é uma importante proposta ecológica para evitar a exploração do petróleo na região amazônica, a fim de reduzir a contaminação ambiental e as alterações climáticas, juntamente com as contribuições recíprocas dos países industrializados. Portanto, nosso apoio é significativo para o governo e a sociedade equatoriana”, afimrou.

O programa do CMI para os povos indígenas apoia a luta dos povos indígenas, no Equador, que estão incitando o governo a cumprir a promessa de proteger a biodiversidade e a terra.

O Conselho Mundial de Igrejas promove a unidade cristã no testemunho da fé, e serviço por um mundo justo e pacífico. A comunhão de igrejas foi fundada em 1948, e reúne, hoje, 349 igrejas protestantes, ortodoxas, anglicanas e outras que representam mais de 560 milhões de cristãos em 110 países. A sede do CMI fica em Genebra.