Jejuar juntos. Artigo de Paolo Dall’Oglio

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13 Junho 2013

"Propomos em particular a data de sábado, 3 de agosto, para um dia de jejum e de oração para a reconciliação na justiça na Síria. Esperando que esta iniciativa seja adotada e relançada em toda a Europa e alhures, convidamos cada um a convidar o seu ou os seus vizinhos muçulmanos para uma 'ceia' de Ramadã. Os refugiados sírios estarão no centro de nossa preocupação, junto à reconciliação entre sunitas e xiitas", escreve Paolo Dall’Oglio, jesuíta, que fundador do Mosteiro de Deir Mar Musa (Síria), atualmente vivendo no exílio, depois de ser expulso da Síria, em artigo publicado na revista Popoli, junho de 2013. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o artigo.

Neste ano o mês de Ramadã cai entre 9 de julho e 8 de agosto. Como em cada ano, isso oferece uma ocasião de solidariedade e compartilhamento para os muçulmanos entre si e para os não muçulmanos com eles. Tradicionalmente os cristãos, os judeus e os muçulmanos de uma mesma cidade se convidam uns aos outros em família para oferecer uma refeição vespertina de ruptura do jejum de Ramadã em espírito de solidariedade abramítica. Em muitos países, famílias, associações e comunidades organizam “ceias” de Ramadã (iftâr) para os seus vizinhos muçulmanos, no sentido de formar comunidades de destino e de esperança, de sofrimento e de consolo, de felicidade e de comunhão. Numa convenção de três dias na comunidade não violenta dos Arcos de Lança de St. Antoine l’Abbaye, perto de Grenoble, temos refletido longamente sobre a condição insuportavelmente dolorosa do povo sírio. Quando se tinha levantado para uma revolução, nascida não violenta, pela democracia e a dignidade, foi abandonado pela comunidade internacional, com poucas e louváveis exceções.

Por causa de tal abandono, a revolução se transformou num massacre perpetrado por um regime criminoso sob os olhos das nossas sociedades civis. Estas têm sido reduzidas à quase impotência por causa de um jogo de equilíbrios geopolíticos internacionais propriamente vergonhoso.

Observando a situação do Oriente Médio, somos, além disso, afligidos pelas oposições, tensões e conflitos violentos entre muçulmanos e, em particular, entre sunitas e xiitas. Na consciência de que estas tensões dependem também de pressões e intervenções do exterior, coligadas aos interesses geoestratégicos regionais e globais, é preciso gritar que a paz no Islã é essencial à paz mundial de todas as religiões e igrejas. A fim de despertar as nossas consciências de cidadãos, seria bom que todos – também os leitores de Popoli – participassem deste jejum de Ramadã, segundo a saúde e a cultura de cada um. Durante este mês abençoado, a prece nos unirá a todos os muçulmanos para solicitar paz e justiça no mundo do Islã. A paz do mundo disso depende!

Junto aos amigos da Arche e a quem quiser unir-se, propomos em particular a data de sábado, 3 de agosto, para um dia de jejum e de oração para a reconciliação na justiça na Síria.

Esperando que esta iniciativa seja adotada e relançada em toda a Europa e alhures, convidamos cada um a convidar o seu ou os seus vizinhos muçulmanos para uma “ceia” de Ramadã. Os refugiados sírios estarão no centro de nossa preocupação, junto à reconciliação entre sunitas e xiitas.

Nutrimos a esperança que este gesto, por graça do Misericordioso, possa abrir a via a outras ações eficazes e duráveis.

Confira a notícia aqui.

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O texto bíblico a seguir pode lhe iluminar.

Deus tenha piedade de nós e nos abençoe, fazendo a sua face brilhar sobre nós,
para que na terra se conheça o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação.
Que os povos te celebrem, ó Deus, Que todos os povos te celebrem.
Que as nações se alegrem e exultem, porque julgas o mundo com justiça. Sl 67, 2-5

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