Isabel Swan é atual vice-prefeita de Niterói e titular da Secretaria do Clima, Defesa Civil e Resiliência. Para além de sua reconhecida trajetória como medalhista olímpica, Swan traz nesta conversa uma perspectiva técnica sobre a Ecologia Integral aplicada à gestão municipal. O texto conecta diretamente a disciplina do esporte de alto rendimento com a urgência das políticas de adaptação climática.

Isabel Swan (Foto: Reprodução)
A entrevista é de Thiago Gama, doutorando em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ).
Como sua gestão, com a experiência de uma atleta finalista em três Olimpíadas, está trabalhando para fomentar o esporte de base e ampliar o acesso a projetos de lazer e bem-estar em Niterói?
O esporte sempre foi, para mim, uma ferramenta de transformação social e de formação de valores. Em Niterói, estamos investindo em políticas públicas que conectam o esporte ao bem-estar, à educação e à inclusão. Em breve, lançaremos o Edital do Bolsa Atleta, um programa que vai apoiar financeiramente atletas da cidade, reconhecendo o esforço de quem representa o município em diferentes modalidades e competições.
A senhora assumiu a Secretaria do Clima, Defesa Civil e Resiliência. Quais são os projetos estruturantes em andamento para tornar Niterói uma “cidade verde” e resiliente aos impactos do aquecimento global?
Niterói vem avançando de forma consistente na agenda climática e ambiental. Um dos principais marcos é o Programa Niterói Pro-Sustentável, que já resultou em ações estruturantes como a criação do Parque Orla Piratininga, um projeto que alia recuperação ambiental, lazer e valorização da nossa orla lagunar. Agora, estamos preparando a implantação do Pró-Sustentável 2, ampliando esse modelo de sustentabilidade integrada para outras áreas da cidade.
Outro destaque é o trabalho voltado à justiça climática e ao fortalecimento comunitário. Recentemente, capacitamos mulheres da comunidade do Boa Vista em liderança de gênero e justiça climática uma iniciativa que mostra que a resiliência urbana também se constrói com inclusão social e protagonismo feminino.
Além disso, a cidade está implantando o Parque Solar do Morro do Boa Vista, que será um marco na geração de energia limpa e na transição energética de Niterói. Essas ações, juntas, fazem parte da nossa visão de uma cidade verde, resiliente e preparada para os desafios do aquecimento global.
Enxerga uma conexão direta entre a prática esportiva, a ocupação de espaços públicos (como a orla) e a conscientização popular sobre a resiliência climática e a defesa civil?
O esporte e o uso saudável dos espaços públicos são ferramentas poderosas de engajamento comunitário.
Quando as pessoas se apropriam dos espaços urbanos de forma positiva pedalando, velejando, correndo, caminhando, elas passam a perceber o valor do ambiente em que vivem e se tornam agentes da sua preservação. Em Niterói, a integração entre esporte, sustentabilidade e resiliência é um eixo estratégico. Projetos como o Orla Viva e o Parque Orla Piratininga (POP) mostram como é possível aliar infraestrutura ecológica, lazer e educação ambiental em um mesmo território.
Sua trajetória é singular, da vela à vice-prefeitura. Como a disciplina do esporte de alto rendimento e sua formação em Gestão de Projetos se aplicam aos desafios diários da política municipal e da prevenção de desastres?
O esporte ensina valores essenciais à gestão pública: planejamento, trabalho em equipe, resiliência e foco em resultados. Na vela, aprendi a ler o vento e o mar na política, aprendi a ler as pessoas e o território. A metodologia que aplico vem da gestão esportiva e da gestão de projetos: definição de metas claras, avaliação de desempenho e aprendizado contínuo. Em Defesa Civil e Clima, isso é fundamental: a prevenção e a resposta dependem de coordenação, preparo e disciplina os mesmos princípios de uma equipe olímpica.
Como primeira mulher eleita para o executivo de Niterói e presidente da Comissão de Atletas da Panam Sports, qual legado espera construir na intersecção entre esporte feminino, gestão pública e sustentabilidade?
Quero contribuir para que mais mulheres ocupem espaços de liderança no esporte, na política e na gestão pública. Meu legado desejado é o de uma gestão que inspira confiança, inovação e empatia, pautada pela sustentabilidade e pela equidade de gênero. O esporte me ensinou que não há vitórias individuais: só há conquistas coletivas.
Em Niterói, trabalhamos para que as meninas de hoje vejam, na cidade, um espaço de oportunidades para competir, empreender, cuidar do meio ambiente e liderar as transformações do futuro.