As novas armadas do papa

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18 Junho 2013

Dos teo-con aos teo-pro. As "armadas" do papa viraram a casaca. Muitos sinais sancionam a passagem de bastão. Não por último, uma página dedicada especialmente ao tema pelo Avvenire, o jornal dos bispos italianos, que durante anos deu voz àqueles intelectuais dispostos a tudo para reconhecer um papel à religião cristã não separada da esfera pública, os teo-con, justamente.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 17-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Ateus devotos", alguém os chamou. "Importantes homens de cultura não crentes, mas que percebem o risco de se afastar das raízes cristãs da nossa civilização", definiu-os, ao invés, Bento XVI no congresso da Conferência Episcopal Italiana (CEI) de Verona de 2006. Foi como uma investidura oficial, a de Ratzinger, um chamado às armas para um exército disposto a tudo para segui-lo.

Mas os papas mudam. E quem não quer sucumbir deve se alinhar. No último dia 9 de junho, o Avvenire assinalou uma mudança de rota, uma virada no tempo perfeito com o advento do primeiro papa que escolheu se chamar Francisco, em honra de uma Igreja diferente, humilde, pobre, dos últimos. "Eram uma vez os teo-con, versão italiana dos neo-con norte-americanos muito ativos na era Bush", escreve o Avvenire.

Eram uma vez e agora não são mais: "O dicionário deve ser atualizado. Porque está se afirmando, em nível internacional, uma corrente filosófica teo-pro: intelectuais rigorosamente não crentes e decididamente 'progressistas', que tomam o pensamento teológico cristão (sobretudo o de São Paulo) e o transformam em um debate filosófico novo e propositivo para o Ocidente". Como se dissesse: até poucos meses atrás, a defesa dos princípios inegociáveis andava de mãos dadas com o querigma, o anúncio do Evangelho; agora com Francisco as hierarquias estão invertidas. Os princípios permanecem, é claro, mas a ênfase está sobretudo no anúncio da misericórdia.

E assim não são mais os conservadores norte-americanos à la Michael Novak, Richard John Neuhaus, George Weigel, ou os ateus devotos italianos à la Marcello Pera e Giuliano Ferrara – o diretor do jornal Il Foglio, porém, para dizer a verdade, nunca se considerou como tal – que se mantêm no auge, mas sim os nomes, heterogêneos entre si, que Kurt Appel, professor de teologia da Faculdade Teológica de Milão, percorreu em um livro a mais vozes dedicado a Cristianesimo e Occidente. Quale futuro Immaginare? (Ed. Glossa).

Do francês Alain Badiou ao italiano Giorgio Agamben, até o esloveno Slavoj Žižek, são vários os intelectuais que, redescobrindo São Paulo como alternativa ao relativismo absoluto e colocando no centro do próprio pensar um olhar para o outro, sobretudo de misericórdia, entram de direito nas fileiras do "exército" bergogliano.

Além disso, o filósofo francês Rémi Brague havia previsto isso. No livro de 1992 Il futuro dell’Occidente (Ed. Bompiani), ele introduziu a distinção entre cristãos e "cristianistas", prevendo os perigos para a Igreja por parte da corrente que posteriormente se chamaria teo-con, mas não só dela: "Cristianista – escreveu Brague – é quem se interessa pelo (próprio) cristianismo e não por Cristo. Vê o cristianismo abstraindo-o como uma 'tabela de valores'. E há os cristianistas identitários e os cristianistas do e no 'catolicismo democrático'. O cristianista identitário insiste no tema do Ocidente e do seu valor. Referindo-se ao cristianismo como um instrumento para a persistência de uma 'pureza'!".

Por outro lado, "o cristianista católico-democrático pratica e impõe o cristianismo como questão individual e socialmente irrelevante e/ou submissa. Irrepreensível no plano da vida privada, ele acaba se assujeitando ao 'voluntarismo político' das esquerdas, reconhecendo-lhes, com o repúdio prático da antropologia cristã, uma suposta superioridade ética".

Existe uma síntese? É difícil responder. Certamente, os chamados teo-pro, apesar do endosso do Avvenire, não parecem conseguir ficar no meio. Eles também revalorizam o cristianismo, mas apenas em chave cultural. Não há conversão neles, há apenas um resgate cultural - a partir da esquerda - do cristianismo. A diferença entre eles e os novos ateus (de Richard Dawkins a Sam Harris, até Christopher Hitchens), em suma, reside apenas no fato de que, para estes últimos, o cristianismo é falso e insalubre. Enquanto que, para os teo-pro, ele é algo a ser valorizado, mas não ao qual aderir.

O Avvenire os toma, ao invés, como modelos. Mas o que dirão os setores mais conservadores do catolicismo a respeito disso? E o que dirão os teólogos mais iluminados do catolicismo hoje?

Pierangelo Sequeri, reitor da Faculdade Teológica da Itália Setentrional, vê notas positivas. Ele diz, de fato, que "a corrente teo-pro é interessante porque marca uma distância clara do pensamento fraco e representa um caminho para dar nova vida ao autêntico humanismo".

Žižek fala sobre um autêntico humanismo quando, em La mostruosità di Cristo (Ed. Transeuropa), ele explica com São Paulo que este é o tempo de "uma vida verdadeira no amor, acessível a todos nós através da graça". É o tempo, diz, de "um cristianismo focalizado no ágape".

No entanto, existem riscos, como Brague ensina. O sociólogo Luca Diotallevi, recente autor de La pretesa. Quale rapporto tra Vangelo e ordine sociale (Ed. Rubbettino), diz: "De um lado, existem nostalgias de cristianismo jogadas como aversão à modernidade avançada. Em certo sentido, a versão original dos teo-con é a declinação de direita desse fenômeno. Mas há também uma de esquerda, especular, afim à primeira. Na direção oposta, está presente e é forte, ao invés, no mundo anglo-saxão, mas também no francês, a ideia de um cristianismo como vetor de um caminho que aceita e desafia a modernidade avançada para uma sociedade em que o primado do amor não contraste com uma perspectiva social ainda mais livre e aberta. A principal alternativa é a entre um cristianismo que rejeita e um que enfrenta e atravessa a modernidade avançada. Quando Tony Blair se converteu ao catolicismo ele disse justamente que uma civitas aberta precisa do cristianismo. No mundo francófono, é o filósofo Jean-Luc Nancy, herdeiro de Jacques Derrida, que diz que a desconstrução e, portanto, o princípio da abertura são um produto do cristianismo e que vive de cristianismo. Nessa prevalência da esperança sobre a nostalgia, que é também o espírito do Vaticano II, pode-se captar o eco da patrística e de uma leitura libertadora de Agostinho. Para ele, no século da civitas terrena permixta à civitas celeste, o amor alimenta a liberdade e conhece e não teme o conflito. O filão que foi chamado de teo-pro é ele mesmo atravessado por uma alternativa mais profunda, em torno da compatibilidade ou não de liberdade e amor".

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