29 Março 2013
Enquanto celebram a Semana Santa, alunos, padres e professores do Colégio Santo Inácio vivem a expectativa de uma visita do Papa Francisco, daqui a três meses, na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Motivos há de sobra: além de se tratar de uma instituição jesuíta, a igreja do colégio está festejando seu primeiro centenário. Para completar, em 31 de julho é comemorado o Dia de Santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, ordem à qual Jorge Mario Bergoglio pertence.
A reportagem é de Lauro Neto e publicada pelo jornal O Globo, 30-03-2013.
O padre Carlos Palácio, Provincial do Brasil (cargo mais alto da Companhia de Jesus no país), enviará um convite formal.
"Pela coincidência dos cem anos, por ele ser jesuíta e pelo Dia de Santo Inácio, vou encaminhar um ofício para nossa Cúria Geral, em Roma, para ver como tramitar", explica Palácio.
Reitor do Colégio Santo Inácio, o padre Luiz Antonio Monnerat diz que o ineditismo de um Papa jesuíta desperta o interesse de alunos e professores.
"É um companheiro que está assumindo o maior cargo de serviço da Igreja. É um orgulho e um desafio grande. Por um lado, ele tem mostrado simplicidade e podia ficar aqui no colégio com os jesuítas. Mas também deve estar preocupado em assumir uma missão mais universal. Seria um orgulho tomar café da manhã e almoçar com o Papa", diz o reitor.
Entre os alunos do colégio, a expectativa também é grande. Um grupo de 70 estudantes do ensino médio vai trabalhar como voluntário durante a JMJ para ajudar a hospedar na escola mais de 1.700 jovens jesuítas de todo o mundo. Eles planejam gravar vídeos pedindo a visita do Papa e movimentar as redes sociais para sensibilizar Francisco.
"Se ele vier ao Santo Inácio, será um grande presente. Depois de um Papa tão conservador como Bento XVI, um jesuíta que vive os mesmos princípios que eu, não se importa de entrar nas favelas. Isso tudo vai abrir muito mais a cabeça dos jovens", acredita Gisela De Lamare, aluna do 2º ano, de 16 anos.
Sua amiga Betriz Calmon, de 15 anos, também está empolgada com a possibilidade de conhecer o Papa Francisco:
"Seria uma honra ver um ícone vir a um lugar que me ensinou tudo em que acredito. O universo está conspirando a favor. Temos a sorte de vivenciar essa experiência agora e passar a mensagem para nossos filhos e netos".
Para o padre uruguaio Armando Raffo, da Conferência de Provinciais Jesuítas da América Latina (CPAL), o Papa vai querer um encontro mais direto com os jovens. Raffo conheceu Bergoglio em 1976 em Montevidéu, quando o argentino já era provincial de seu país, aos 39 anos. Ele ainda era noviço na Companhia de Jesus, fazia as vezes de motorista e acabou dando caronas para o futuro Papa.
"Lembro muito bem de ser uma pessoa simples. Em uma ocasião, me pediu para trazer um chá. Fiquei impressionado porque ele era muito novo e já era provincial. No Rio, ele achará algum jeito de se comunicar mais diretamente com as pessoas. Tenho certeza de que vai pedir alguma coisa mais cara a cara com os jovens. Não vai ficar contente se tiver uma missa com dois milhões de jovens, mas nenhum deles perto. Vai querer ir a algum lugar em que ninguém está esperando. Seria uma boa oportunidade para conhecer o Colégio Santo Inácio", diz Raffo.
O assessor de formação cristã José Henrique Sasek está coordenando as experiências da regional Rio no Magis, o encontro pré-JMJ dos jovens jesuítas. Ele também está confiante numa visita do Papa ao colégio:
"Francisco é um sopro de renovação para a Igreja. Por ser o primeiro jesuíta, traz ares de esperança".