Grécia pode ter governo de tecnocratas

Mais Lidos

  • A ferrovia bioceânica Brasil-Peru promete agilizar o comércio com a China. Mas a que custo?

    LER MAIS
  • “As ideias de Yarvin e de outros são um absurdo, mas as prescrições liberais do mundo seguem linhas semelhantes". Entrevista com Carlos Fernández Liria

    LER MAIS
  • Antonio Banderas ao Papa: "Estou aqui hoje confessando ter sido vítima do feitiço de Deus"

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

15 Mai 2012

Em um esforço desesperado para o que pode ser um dos capítulos mais dramáticos após a criação da União Europeia, o presidente da Grécia, Carolo Papoulias, propôs ontem a criação de um governo de "notáveis", formado por pessoas fora dos círculos políticos.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 15-05-2012.

Ontem, o debate entre os partidos para a formação de um governo acabou em mais um fracasso e, para hoje, a presidência convocou todos os líderes de forças políticas para uma reunião decisiva. Se a proposta de um governo tecnocrata não for aceita até quinta-feira, eleições serão convocadas para junho e os gregos vão às urnas com uma pergunta a ser respondida: se querem ou não continuar na zona do euro.

Depois de quatro tentativas frustradas de formar um governo de coalizão nacional após as eleições de 6 de maio, que terminaram sem um vencedor claro, a Grécia sentiu o impacto que poderá causar na economia europeia. O mercado desabou e ouro, euro e petróleo sofreram forte debandada dos investidores. Alguns bancos gregos chegaram a perder 12% na Bolsa de Atenas.

Na City de Londres, bancos admitiam que passariam a noite verificando se seus computadores estariam preparados para uma eventual moeda nacional grega, enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, falou ontem pela primeira vez em público sobre a possibilidade de a Grécia deixar o euro. Ela deu um recado claro: ou a Grécia cumpre o acordo ou terá de deixar a zona do euro.

Em Bruxelas, posição da Alemanha não é unanimidade. Há os que defendem uma maior flexibilidade com os gregos - ampliando os prazos para que o déficit seja corrigido e reduzindo a austeridade.

Sem unanimidade

Papoulias tinha a meta ontem de reunir os quatro maiores partidos para apresentar seu projeto de um governo tecnocrata. Mas o Syriza, de esquerda, se recusou a comparecer à reunião, alegando que não está disposto a legitimar um governo que apoie a austeridade. O governo técnico, no estilo que foi estabelecido por Mario Monti na Itália, seria a forma de romper o impasse entre as linhas dos partidos que, nas urnas, não conseguiram chegar a uma maioria clara.

Evangelos Venizelos, líder dos socialistas do Pasok e negociador dos acordos com a Europa, anunciou ontem que apoiava o projeto. "Estamos dispostos a apoiar um governo nesse estilo, ainda que em princípio não queiramos um governo de tecnocratas." Segundo ele, o Pasok só dará o sinal verde se sentir que os demais partidos apoiarão o projeto. O líder conservador, Antonis Samaras, também apoia.

Fotis Kuvelis, líder de Esquerda Democrática, rejeitou a ideia, alegando que colocar um governo de tecnocratas após as eleições seria o reconhecimento de que o sistema político grego fracassou. As eleições foram convocadas justamente por um governo tecnocrata, liderada pelo professor de uma universidade americana, Lucas Papademos.

Enquanto a Grécia continua num limbo, pesquisas de opinião apontam que 72% dos gregos querem o fim do impasse a "qualquer preço". 78% pedem que os políticos não permitam que Atenas saia da zona do euro, enquanto apenas 13% da população quer a volta da moeda local.

Hoje o país passará por um importante teste. Terá de pagar a credores 437 milhões, mas até agora ninguém sabe quem fará o desembolso do dinheiro, diante da falta de um governo. Se o dinheiro não for pago, a Grécia terá dado um calote.