26 Agosto 2011
Enquanto todo o país se alegrava com o fim da greve de fome de 37 dias de alunos secundaristas na comuna de Buin, perto de Santiago, o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, saía com uma ressonante declaração. Assegurou à Rádio ADN que apenas Gloria Negrete – a porta-voz dos jovens radicalizados – fez realmente greve de fome, ao passo que a dos outros cinco estudantes do Liceu A-131 era “absolutamente falsa”.
A reportagem é de Christian Palma e está publicada no jornal argentino Página/12, 26-08-2011. A tradução é do Cepat.
“A greve de fome como figura médica está registrada apenas no caso de Gloria Negrete, o caso da jovem que terminou seu movimento na quarta-feira. Os outros jovens começaram a aumentar de peso nos últimos dias; de fato, nós os controlamos todos os dias”, disse aquele que era, até antes de entrar no ministério de Sebastián Piñera, o diretor da exclusiva Clínica Las Condes, situada em um dos bairros mais nobres de Santiago e na qual um chileno médio simplesmente não tem condições de ser atendido.
Mas isso não foi tudo. O médico acrescentou que “os jovens não estiveram em greve de fome. Nenhuma greve de fome é séria enquanto não tiver produzido consequências fisiológicas para a pessoa e isso não acontece nunca antes dos 45 dias, salvo que seja seca”. Uma preciosidade. Na sua opinião, “quando uma pessoa diz que está em greve de fome, na imensa maioria dos casos está mentindo. É uma declaração, uma ameaça, um esforço para chamar a atenção sobre sua causa”, disse, enquanto metade do país estava atônito e as redes sociais ferviam.
Consultada a própria Gloria Negrete sobre as declarações de Mañalich, disse: “Não estou de acordo com as declarações do ministro. Caso queira, que venha ver as fichas médicas. É uma falsidade a mais que se soma aos ditos de que éramos manipulados. É pouco ético que minta a um país inteiro. Não temos medo de nada, sempre estivemos com a verdade. Ele pode vir para ver as fichas médicas para que o comprove”.