Obama rende homenagem ao Monsenhor Romero

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23 Março 2011

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitou na noite de terça-feira – véspera da comemoração de seu martírio – o sepulcro do assassinado arcebispo Óscar Arnulfo Romero, na catedral de San Salvador, onde, em sinal de reverência, acendeu uma vela. A visita foi antecipada, pois Obama devia voltar imediatamente aos Estados Unidos para administrar a crise líbia.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 23-03-2011. A tradução é do Cepat.

Em um contexto de impressionantes medidas de segurança, Obama foi recebido pelo arcebispo de San Salvador, José Luis Escobar, que, num primeiro momento, mostrou ao governante norte-americano o interior da nave principal da catedral.

O presidente dos Estados Unidos se deteve a observar as pinturas no teto, as duas capelas laterais e uma imagem talhada de Cristo.

Depois, Obama foi conduzido até a cripta dos bispos, na catacumba da catedral onde se encontra a tumba de Romero, assassinado em 1980, enquanto presidia uma missa, por um jagunço a quem a ultradireita pagou 400 dólares.

Em frente ao mausoléu de bronze de 2,5 metros de comprimento por 1,8 de largura que cobre a tumba, Obama fechou os olhos por alguns segundos. Depois, junto com o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, acenderam cada um uma vela em homenagem "à voz dos sem voz", como é conhecido o arcebispo mártir. Obama expressou "surpresa e admiração", segundo alguns meios de comunicação.

O mausoléu, obra do escultor italiano Paolo Borghi, representa Romero "dormindo o sono dos justos" e nos quatro cantos da lápide de sua sepultura, os quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João) seguram as pontas de um pano, dando a sensação de elevar o pastor no ar.

Enquanto isso acontecia no interior da catedral, as ruas ao redor do templo estavam desertas. De longe, salvadorenhos, sem sucesso, procuravam ter uma vista da visita, mas o severo dispositivo de segurança os impediu.

Obama chegou à catedral situada no coração da capital, custodiado por agentes do Serviço Secreto, unidades de elite da Força Armada e da Polícia Nacional Civil (PNC).

Esta visita ao mausoléu "é uma grande alegria e uma grande bênção de Deus", disse María Enma Anzora, uma devota de Romero, que tentou em vão ver Obama.

Romero, que era oriundo da ala conservadora da Igreja e carecia da confiança do clero progressista quando chegou à arquidiocese em 1977, adotou uma linha incansável de denúncia da injustiça social e da repressão militar somente um mês depois, após o assassinato de um jesuíta.

No dia 23 de março de 1980, apesar das ameaças de morte, Romero instou os efetivos do exército a obedecerem antes ao mandamento de Deus de "não matar" que aos seus chefes, que ordenavam que atirassem contra o povo. Um dia depois foi assassinado.

Uma comissão criada pela ONU culpou como autor intelectual do assassinato o major do exército Roberto D’Aubuisson, fundador da Aliança Republicana Nacionalista (ARENA, de direita), que morreu de câncer em fevereiro de 1992.