Irmãs religiosas em Cuba lutam para manter seus ministérios enquanto a escassez de combustível agrava a crise humanitária

Foto: Ricardo Gomez Angel/Unplash

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09 Junho 2026

Um grupo de irmãs em Havana comunicou a padres em Cuba, no início de junho, que a falta de eletricidade dificulta a continuidade de seu ministério, levando algumas a se perguntar por quanto tempo a reserva restante durará se os EUA continuarem bloqueando a chegada de combustível à ilha.

A reportagem é de Rhina Guidos, publicada por Global Sisters Report, 08-06-2026.

"O abastecimento restante será racionado para que haja o suficiente para todos", escreveram as Carmelitas Descalças de Havana a padres numa mensagem tornada disponível ao Global Sisters Report em 3 de junho. Usando uma máquina que funciona à eletricidade, as irmãs contemplativas produzem hóstias para todas as paróquias da ilha.

O combustível é um dos muitos itens essenciais que os EUA estão impedindo de entrar em Cuba, enquanto buscam dobrar o governo e provocar uma mudança de regime, mesmo que cubanos comuns — incluindo freiras e religiosas em missão — sofram as consequências.

"A vida cotidiana para os cubanos tornou-se um desafio, e como irmãs religiosas entramos nessa dinâmica de luta por alimentos e escassez do necessário para realizar nossa missão", disse Ir. Noemy Ayala, Irmã Carmelita de São José, baseada em Havana.

Comunidades religiosas que não conseguiram garantir o básico para continuar seu trabalho missionário partiram de vez, afirmou Dom Arturo González Amador, presidente da Conferência dos Bispos Cubanos, em entrevista de 20 de maio à Aid to the Church in Need. A escassez de alimentos, água, combustível e medicamentos — juntamente com a ameaça de guerra — trouxe Cuba ao seu "momento mais triste", disse ele.

"Cuba está sofrendo", afirmou González, descrevendo uma ilha onde as únicas pessoas que ficam são as que não conseguem partir, e onde algumas desmaiam durante a missa por causa da fome. É uma situação tão grave que uma pessoa que necessita de atendimento médico — inclusive cirurgia — tem de providenciar seus próprios materiais, como analgésicos, fio e agulha de sutura, antes de ir ao hospital.

Embora os cubanos venham sofrendo limitações materiais há décadas, devido às sanções americanas e à má gestão econômica, a queda de Nicolás Maduro — cujo governo havia abastecido a ilha com petróleo subsidiado e outros itens essenciais — mergulhou a ilha em uma angústia sem precedentes este ano. Alguns dizem que a crise atual é muito pior do que o "período especial" dos anos 1990, produzido pelo colapso da União Soviética, que gerou fome generalizada e mortes na ilha. Mesmo China e Rússia, que têm interesses estratégicos na ilha devido à sua proximidade com os EUA, não conseguiram ajudar. O New York Times noticiou em 28 de maio que um petroleiro russo que parecia se dirigir a Cuba mudou de rota, frustrando as esperanças de grupos humanitários que aguardavam combustível para distribuir alimentos pela ilha.

Ayala, cuja comunidade de três irmãs atende crianças e idosos, disse que, embora possam oferecer amor, esperança e um pouco de comida, não conseguem fazê-lo se as crianças não conseguem chegar à creche porque não há transporte ou água. A eletricidade, que as irmãs usam para bombear água potável, vai e vem aleatoriamente. "Temos que conviver com a incerteza de que a luz pode apagar a qualquer momento… e quando apaga, ficamos sem água porque a bomba não consegue funcionar. Para uma irmã religiosa, viver em Cuba hoje significa navegar e enfrentar uma série de desafios estruturais e econômicos que exigem uma enorme capacidade de adaptação e resiliência. Esses desafios não são apenas materiais, mas também ocupam grande parte do esforço mental e do tempo das pessoas."

"Há pessoas que chegam dizendo que não comem há dias e não sabem a quem recorrer. Os alimentos não podem ser conservados pela falta de eletricidade, e recentemente tem havido frequentes desmaios durante os cultos porque muitas pessoas não comeram", disse González. "Tudo é uma luta pela sobrevivência. O presente é precário; o futuro, completamente incerto."

No final do ano passado, Alena Douhan, relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, pediu aos Estados Unidos que levantassem as sanções contra Cuba, afirmando que manter a política teria um alto custo humanitário. A crise atingiu com mais dureza os pobres, os idosos que vivem sozinhos, os aposentados e as mães solteiras, disse González. E também afetou a vida dos frequentadores da Igreja. A Vigília Pascal, por exemplo, teve que ser transferida para o período diurno, não apenas pela falta de eletricidade, mas também pelo medo de assaltos aos fiéis no caminho para casa.

Os cubanos comuns temem se encontrar com fome, fracos e desamparados em meio a um conflito violento que poderia eclodir a qualquer momento entre os EUA e o regime que controla a ilha desde 1959. "O medo reina", disse González. "O medo da guerra é tremendo; faz parte das preocupações diárias de muitas pessoas… há uma conversa constante sobre isso, o que causa angústia, especialmente entre crianças e idosos."

Muitas organizações da Igreja Católica disseram aos cubanos que ficarão, independentemente do que aconteça. Mesmo com os recursos diminuindo, comunidades religiosas que administram cozinhas comunitárias, por exemplo, têm encontrado formas criativas de alimentar os necessitados à medida que a demanda cresce. "O que resta é um país cada vez mais envelhecido, deixado apenas com os idosos, sem recursos e com pensões mínimas", disse González. "A tarefa da Igreja é manter o espírito vivo, dar esperança onde não há, escutar e acompanhar."

Para irmãs como Ayala, essa tarefa envolve viver o dia momento a momento, apoiando-se em orações e na fé. "É assim que são nossos dias, repletos da angústia e do desespero das pessoas, e é aqui que nossa missão se torna um ato constante de escuta e angústia compartilhada. Mas, acima de tudo, o mais importante é sentirmos o poder das orações de muitas pessoas, dentro e fora da ilha, que nos acompanham em oração."

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