Acordos bilaterais reforçam o colonialismo, diz professor

Foto: James Wiseman/Unplash

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09 Junho 2026

Tratados e regras do mundo corporativo podem ser elaborados de maneira extremamente patriarcal, analisou Joycia Thorat, profissional da Ação Social do Conselho Nacional de Igrejas na Índia, na conferência online sobre “Tratados Escravizantes”, promovido pelo Conselho Mundial de Igrejas e realizado no início de junho.

A informação é de Edelberto Behs, jornalista.

“Os tratados internacionais de investimento são acordos vinculativos entre países que estabelecem regras sobre como cada Estado deve tratar os investidores dos outros Estados. O objetivo é proteger o investimento estrangeiro e incentivar o fluxo de capital a qualquer custo, visando a continuidade dos investimentos”, explicou Thorat. Os países que recebem os investimentos cedem a qualquer medida que afete as pessoas, o planeta e o ecossistema local, arrolou.

O pesquisador em Direito Empresarial Sustentável da Universidade de Oxford, Nicholas Young, afirmou que os tratados internacionais de investimento entre dois ou mais Estados ou países são baseados na desigualdade: “Estados desenvolvidos e suas corporações internacionais, de um lado, e países pobres ou em desenvolvimento, de outro, com a insistência em garantir lucros para as corporações em detrimento do bem-estar dos cidadãos dos Estados em desenvolvimento”.

Quando esses acordos são entre dois países, esclareceu, são chamados de tratados bilaterais de investimento, que tiveram um crescimento exponencial nas últimas décadas. Se em 1989 existiam apenas 385 desses tratados, hoje são mais de 2,8 mil, calculou.

Esses sistemas, alertou o economista queniano John Njenga, jovem da Igreja Ortodoxa Africana do Quênia e que trabalha para a organização Tax Justice Africa, perpetuam a colonização. “Há comunidades que não conseguem se representar nesses tribunais internacionais. Elas podem até receber decisões nas quais nunca estiveram envolvidas”, apontou.

“As pessoas de boa vontade devem ficar indignadas”, reagiu o professor Dr. Masiiwa Gunda, do Instituto Ecumênico de Bossey. “Mas não basta ficar indignado”, para acrescentar em seguida: “Devemos ficar indignados e agir de forma visível, dizendo àqueles ignorados pelo poder e pela ganância: ‘Nós vemos vocês, nós sentimos vocês e estamos com vocês’.”

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