31 Outubro 2012
Cremação, urnas personalizadas, salas de velório, remoção 24 horas e até mesmo a confecção de pedras preciosas que levam o pelo de animais de estimação para que eles sejam lembrados eternamente são alguns dos serviços oferecidos pela Pet Memorial, com 12 anos de mercado e responsável pelo primeiro crematório individual da América Latina.
A reportagem é de Katia Simões e publicada pelo jornal Valor, 31-10-2012.
Localizado em um terreno arborizado de 12 mil m2, em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, o crematório recebe em média 600 animais por mês entre cães, gatos, cavalos, aves, roedores e até animais exóticos. "O mais ilustre foi o leão Ariel, cujo velório foi acompanhado ao vivo por 200 pessoas e via internet por mais de 5.000", diz Sérgio Lascane, diretor de marketing. Os preços da cremação variam entre R$ 600 e R$ 3.000, valores que podem ser pagos à vista ou em planos contratados quando o animal ainda está vivo.
O Pet Memorial levou para o universo dos animais de estimação uma tendência que se solidifica cada vez mais entre os humanos, a de oferta de serviços de melhor qualidade durante os funerais e da opção pela cremação. Dono de um dos maiores grupos de funerárias do país, com sede em Votuporanga (SP), o empresário Rolando Nogueira se antecipou ao mercado e há seis anos e abriu a Bruker Fornos Crematórios. "Cada vez mais as grandes cidades sofrem com a falta de espaço para instalação e cemitérios, como já aconteceu na Europa e nos Estados Unidos. A cremação é a alternativa mais adotada lá fora e tende a ser aqui também", diz.
Com capacidade produtiva de dez fornos por mês, ao preço médio de R$ 300 mil os modelos para humanos, e de seis unidades para pets, a empresa cresce a uma média de 20% ao ano e espera faturar R$ 8 milhões em 2012. Além da tecnologia de ponta e do preço, 40% menor do que os importados, os fornos da Bruker podem ser financiados pelo cartão BNDES, o que tem facilitado os negócios.
Com a experiência de quem está presente em 147 cidades do interior de São Paulo, Nogueira afirma que o mercado funerário têm revelado um crescimento acentuado nos últimos anos, principalmente com a oferta de serviços mais sofisticados para um momento no qual as pessoas estão muito fragilizadas. A percepção encontra avalistas, como o empresário Pepe Altstut, 74 anos, dono do Grupo Altstut, responsável pelo Pepe Memorial e pelo Memorial Necrópole Ecumênica, o maior cemitério vertical do mundo, com sede em Santos, no litoral paulista.
O grupo é também criador do primeiro crematório privado do país, que abriga um anfiteatro para até 100 pessoas sentadas. Entre os serviços oferecidos pela empresa estão a transmissão em tempo real das cerimônias por até 15 minutos; atendimento médico e psicológico com a presença de enfermeiros 24 horas; banco de dados informatizado além de auxílio a conferência de documentos, seguros, atestados.
Tem ainda serviço de garçom e de café da manhã, se a família desejar. O último investimento, segundo Pepe, foi na aquisição de um carro funerário com mais de 8 metros de compartimento interno, que acomoda cinco pessoas, além do motorista e é equipado com frigobar, DVD para quem deseja acompanhar o transporte do corpo. Uma cerimônia com serviço completo pode custar até R$ 28.000, dependendo dos serviços escolhidos e do tipo de urna.
De acordo com Lourival Antonio Panhozzi, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário, o segmento luxo no mercado funerário cresceu cerca de 20% nos últimos cinco anos, com cerca de 5.500 empresas em operação. "A procura aumentou porque as funerárias estão investindo mais em serviços e porque a economia melhorou", diz. A estimativa é que o setor movimente este ano R$ 1,5 bilhão.