14 Dezembro 2011
Integrante de uma equipe de 3 mil cientistas à caça do bóson de Higgs, Sérgio Novaes, integrante do experimento Solenóide Compacto de Múon, em Genebra, e professor da Universidade Estadual Paulista - Unesp - acompanha de perto os testes em Genebra. Entusiasmado, diz que em um ano será possível confirmar se a partícula realmente existe.
A entrevista é publicada pelo jornal Zero Hora, 14-12-2011.
Eis a entrevista.
O que vocês enxergaram para dizer que a partícula pode existir?
Um excesso de eventos que podem sugerir que o bóson de Higgs seja o responsável. Se ele estiver nessa região, haveria excessos de pares de fótons, basicamente luz. E é o que estamos enxergando.
É possível afirmar que de fato a partícula existe?
Os resultados não são conclusivos. Vamos colher dados durante 2012 e, no final, a gente tem certeza de que vai poder confirmar ou excluir definitivamente a existência do bóson de Higgs.
Quanto tempo já dura o experimento?
Entre a concepção, a construção e o início da operação (do superacelerador) demorou mais de 20 anos. Desde março de 2010, funciona com performance impressionante.
Que dados ainda faltam?
A gente precisa ter uma estatística maior para ter certeza de que não é um desvio estatístico, mas realmente um dado real.
O que significa isso para a vida das pessoas?
É difícil dizer. Se perguntasse há 50 anos o que significaria a nanotecnologia para as pessoas, ninguém acreditaria que isso pudesse ter impacto algum. São trabalhos de dimensões muito pequenas. Somos os nanos dos nanos. É muito difícil dar qualquer previsão agora.
A teoria da origem da massa das partículas se confirma?
Confirmar é muito forte, mas há indicações de que a gente encontrou evidências. Essa teoria foi extremamente bem testada nos últimos 40 anos, menos nesse ponto do bóson de Higgs. Por isso, essa descoberta se torna tão importante. É a única coisa que está faltando para confirmarmos essa teoria.